A Polícia Federal citou, em uma investigação sobre o Banco Master, uma degustação de uísque realizada em Nova York pelo dono do banco, o empresário Daniel Vorcaro. Segundo a apuração, o evento reuniu autoridades brasileiras, entre elas o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o senador Ciro Nogueira.
O ponto mais detalhado das reportagens é um jantar que, de acordo com a PF, teria sido bancado por Vorcaro para Cláudio Castro. A conta teria chegado a cerca de R$ 66 mil, com itens como carne folheada a ouro e vinho avaliado em R$ 6,4 mil. O episódio teria ocorrido durante uma viagem oficial do governador aos Estados Unidos.
Veículos de esquerda destacaram o contraste entre o luxo do encontro, custeado por um empresário sob investigação, e o caráter oficial da viagem. Nessa leitura, o caso ilustra a proximidade entre o poder econômico do mercado financeiro e autoridades de centro-direita, e levanta a questão de quem paga a conta de eventos que misturam interesses privados e agenda pública. A cobertura de centro relatou os fatos de forma mais contida, atribuindo as informações à Polícia Federal e registrando os valores e os nomes envolvidos sem afirmar a existência de crime.
Veículos de direita, embora com presença menor nesta cobertura, tenderiam a enfatizar que a PF apenas menciona o evento no âmbito da investigação, sem que esteja demonstrada qualquer contrapartida ilícita, e que encontros sociais não configuram, por si, irregularidade. Esse ângulo cobra a presunção de inocência das autoridades citadas e o contraditório, ausente nas reportagens disponíveis.
O que ainda não se sabe é se a degustação e o jantar serão tratados pela investigação como indício de crime ou apenas como contexto. Não há, nas reportagens, manifestação de Cláudio Castro, Hugo Motta ou Ciro Nogueira, nem detalhamento do teor exato do que a Polícia Federal apurou sobre o episódio e sobre eventuais contrapartidas a Vorcaro ou ao Banco Master.