Mensagens extraidas do celular do ex-socio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, indicam, segundo a Policia Federal, que o senador Jaques Wagner (PT-BA) articulou em 2024 um encontro 'discreto' em seu gabinete entre o empresario e o advogado-geral da Uniao, Jorge Messias. Os documentos vieram a publico depois que o ministro Andre Mendonca, relator da operacao Compliance Zero no Supremo Tribunal Federal, derrubou o sigilo da investigacao. Em uma mensagem de audio, o senador diz que havia falado com Messias e defende o proprio gabinete como o lugar 'mais protegido e discreto para todo mundo', chegando a orientar o empresario a entrar sem passar pela identificacao.
A cobertura de centro relatou os fatos de forma factual: reproduziu as transcricoes das mensagens, informou que a PF nao consegue confirmar, apenas pelos registros, que a reuniao com Messias tenha de fato ocorrido, e destacou que tanto o AGU quanto a defesa do senador foram procurados. Messias afirmou em nota que nunca esteve em reuniao com Augusto Lima no gabinete de Wagner. A suposta presenca do ministro no encontro se apoia em um registro automatico do WhatsApp, que indicaria que ele adicionou o contato do empresario naquele momento.
Veiculos de direita enfatizaram o teor do caso e o vinculo com o governo: um senador governista, ex-lider do governo no Senado, teria intermediado o acesso de um investigado ao advogado-geral da Uniao, com cuidado explicito para ocultar o encontro. Nessa chave, ganham peso as suspeitas ja levantadas pela PF, como a compra de um apartamento de luxo de R$ 2,45 milhoes, R$ 63 mil em ingressos de show, viagens em jatinho emprestado e dezenas de milhares de dolares e euros em especie encontrados em locais ligados ao senador, alem de emendas de interesse do banco.
Pela chave de leitura da esquerda, o ponto central e que se trata de uma investigacao ainda em curso, sem qualquer decisao judicial que atribua responsabilidade criminal, e que a propria PF admite nao ter prova do encontro. Nesse enquadramento, vale a presuncao de inocencia e ganham relevo os argumentos da defesa: o senador afirma que provara sua inocencia, que sua unica emenda sobre o tema buscou limitar juros e proteger consumidores, no sentido contrario aos interesses do banco, e que os valores em especie tinham origem licita, ligada a diarias oficiais.
O que ainda nao se sabe e se a reuniao entre Messias e o ex-socio do Master realmente aconteceu, ja que os registros disponiveis sao indiretos. Tambem seguem em aberto as conclusoes do inquerito no STF sobre a eventual atuacao do senador em favor do banco e os desdobramentos juridicos para os citados, que ate agora nao foram formalmente responsabilizados.