Washington Post critica Alexandre de Moraes e cita fuga de Flávio Bolsonaro
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A cobertura de centro relatou que o jornal americano The Washington Post publicou, na quarta-feira, 28 de outubro, um editorial afirmando que a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos expõe problemas na democracia brasileira. O texto, reproduzido com aspas, critica a concentração de poderes no Supremo Tribunal Federal e cita nominalmente o ministro Alexandre de Moraes.
A cobertura de direita apresentou o editorial do The Washington Post como crítica ao Judiciário brasileiro sob o intertítulo 'Judiciário sob suspeita', destacou que o jornal é identificado com a centro-esquerda americana e deu peso ao argumento de que a insegurança jurídica pode afastar investidores.
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As coberturas de centro e de direita, únicas no conjunto, concordam que o editorial do The Washington Post critica a concentração de poderes no Supremo Tribunal Federal e associa essa concentração à perda de confiança na Justiça e à incerteza para investidores.
O jornal americano The Washington Post publicou em 28 de outubro um editorial crítico ao Supremo Tribunal Federal e ao ministro Alexandre de Moraes. O texto parte da saída de Flávio Bolsonaro para Miami após o segundo turno e afirma que a concentração de poderes na corte ameaça a confiança na Justiça brasileira.
O jornal americano The Washington Post publicou, na quarta-feira, 28 de outubro, um editorial com críticas duras ao Supremo Tribunal Federal e ao ministro Alexandre de Moraes. Segundo a cobertura de centro, o texto tem o título "Quando juízes se tornam promotores" e parte da saída de Flávio Bolsonaro, senador do PL, para os Estados Unidos.
De acordo com o editorial, Flávio chegou a Miami na quarta-feira, três dias depois de perder o segundo turno da eleição presidencial, por temer uma prisão iminente. O jornal americano escreveu que a fuga não prova a inocência do senador nos processos a que responde, mas que o fato de ele não acreditar num julgamento justo é uma acusação contra a democracia brasileira.
As duas coberturas convergem no centro da crítica. Ambas relatam que o editorial vê concentração de poderes no Supremo e enfraquecimento de garantias processuais. Ambas registram também o argumento de que essa concentração ameaça a confiança no sistema de Justiça e cria incerteza para investidores.
A cobertura de centro trouxe trechos literais do editorial. Segundo o jornal americano, os ministros da corte passaram a acumular funções de investigadores, acusadores e julgadores. A matéria lembra que Moraes é o autor da decisão que apreendeu os passaportes de Flávio. Registra ainda que o editorial chamou de ataque flagrante à liberdade de expressão o bloqueio da rede social X no Brasil, ordenado pelo ministro em 2024.
Veículos de direita deram outro recorte. A matéria abriu com o intertítulo "Judiciário sob suspeita" e ressaltou que o jornal americano é tradicionalmente identificado com a centro-esquerda. Citou o inquérito das fake news, aberto pelo próprio Supremo em 2019, e decisões de buscas, prisões, bloqueios de contas e remoção de conteúdos. Mencionou também o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a aliados. Uma seção inteira tratou dos reflexos na economia, com o risco de afastar investidores. Esse texto não menciona a saída de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, que é o ponto de partida do editorial na cobertura de centro.
Nenhum veículo de esquerda cobriu o caso no conjunto analisado. Nenhuma das duas coberturas trouxe resposta do Supremo Tribunal Federal ou de Alexandre de Moraes às críticas.
Até a noite de 29 de outubro, quando saíram as matérias analisadas, não havia manifestação do tribunal registrada nos textos. Também não estavam descritos os processos criminais a que Flávio responde, nem se ele pretendia voltar ao Brasil.
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