O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, na França, em encontro à margem da cúpula do G7, da qual o brasileiro participou na condição de convidado. A reunião, a pedido do ucraniano, durou cerca de 40 minutos e tratou da guerra entre Rússia e Ucrânia, das possibilidades de um cessar-fogo e da busca por uma saída diplomática.
Segundo o relato divulgado por Lula em rede social, ele ouviu as avaliações de Zelensky sobre o conflito e expôs sua expectativa de que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas atue de forma mais efetiva para encerrar uma guerra que já dura mais de quatro anos. Os dois combinaram novos contatos nas próximas semanas. Zelensky classificou a conversa como boa, em especial na parte que tratou de caminhos para o fim do conflito.
No centro do episódio está um pedido concreto: Zelensky quer que Lula volte a se envolver na busca de uma solução negociada e que telefone tanto ao presidente russo, Vladimir Putin, quanto ao chinês Xi Jinping. A ideia é que o Brasil, por manter canais abertos com as potências emergentes, ajude a convencer Putin a se engajar pessoalmente nas negociações e, eventualmente, aceitar um encontro com o lado ucraniano e mediadores. O governo brasileiro atribui o pedido à dificuldade de Kiev de encontrar canais de diálogo direto com Moscou.
Veículos de centro relataram os fatos com paridade, registrando as falas dos dois presidentes e contextualizando que a invasão da Ucrânia pela Rússia completa 52 meses, e que Lula é apontado como político próximo de Putin. Essa cobertura também recuperou que, no início de 2025, Zelensky chegou a declarar que o 'trem do Brasil já passou' no que diz respeito à mediação, depois de antes ter buscado maior engajamento brasileiro.
Veículos de esquerda enfatizaram o reconhecimento da credibilidade diplomática do Brasil: o fato de Zelensky recorrer a Lula seria prova de que o país tem trânsito singular para falar com Moscou e Pequim, reforçando a tradição brasileira de defender a paz pela negociação e o multilateralismo, em vez da escalada militar. Já uma leitura de direita tenderia a destacar o paradoxo de o Brasil ser procurado justamente pela proximidade de Lula com Putin, o que levantaria dúvidas sobre sua imparcialidade, e a lembrar que um pedido idêntico, em 2025, foi levado ao Kremlin pelo Itamaraty sem produzir resultado concreto algum.
O que ainda não se sabe é se Lula efetivamente fará os telefonemas pedidos, qual será a resposta de Putin a uma nova aproximação brasileira e se há propostas concretas de cessar-fogo sobre a mesa. Também não está claro se a tentativa atual encontrará receptividade maior do que a anterior, nem qual seria o papel prático do Conselho de Segurança da ONU defendido por Lula diante de um impasse que se arrasta há mais de quatro anos.