O pré-candidato à Presidência Romeu Zema, do partido Novo e ex-governador de Minas Gerais, gerou controvérsia ao afirmar que, se eleito, exigiria que apenas os homens beneficiários do Bolsa Família concluíssem os estudos para manter o benefício. A declaração foi dada em 22 de junho de 2026, durante palestra a empresários em evento da Confederação Nacional da Indústria, em Brasília. Segundo Zema, a exigência não valeria para as mulheres porque elas teriam 'outras atribuições em casa', como cuidar dos filhos.
Na fala, Zema disse que o país está 'criando uma geração de imprestáveis' e que pretende obrigar os homens que não concluíram o ensino fundamental a voltar a estudar e a fazer cursos técnicos. Ele afirmou que 'ninguém vai morrer se tiver que estudar' e que pretende recompensar quem conseguir emprego com carteira assinada e deixar de depender do auxílio.
A cobertura de centro, de veículos de agência, relatou os fatos de forma factual e contextualizada. Esses veículos lembraram que, pelas regras atuais, os beneficiários precisam manter crianças matriculadas na escola, com frequência acima de 75%, e em dia com a vacinação, mas adultos não são obrigados a concluir os estudos. A cobertura central também trouxe dados: uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas apontou que a maioria dos jovens beneficiários deixou o programa nos últimos anos, e o Fundo Monetário Internacional afirmou que o Bolsa Família não reduz sistematicamente a participação das mulheres na força de trabalho, o que contraria parte da premissa do pré-candidato.
Veículos de direita destacaram o enquadramento de responsabilidade individual e incentivo ao trabalho formal. Nessa leitura, condicionar o benefício à capacitação é uma forma de transformar o auxílio em ponte para a autonomia, e não em acomodação. A agenda foi associada a propostas pró-mercado que Zema defendeu no mesmo evento: privatizar estatais como Cemig e Copasa, fazer uma nova reforma da Previdência, uma reforma administrativa e cortar o que ele chamou de 'gastança' do governo Lula. Ele citou ter tirado Minas Gerais do déficit reduzindo despesas como prova de eficiência fiscal.
Veículos de esquerda, embora não tenham coberto diretamente esta story no cluster, enquadrariam a fala como reforço de uma visão conservadora que naturaliza o trabalho doméstico não remunerado das mulheres e estigmatiza os mais pobres ao tratá-los como 'imprestáveis'. Nessa perspectiva, a condicionalidade diferenciada por gênero e a agenda de cortes ameaçariam direitos sociais e aprofundariam a vulnerabilidade de famílias chefiadas por mulheres.
O evento da CNI reuniu ainda outros presidenciáveis. Flávio Bolsonaro, do PL, criticou a reforma tributária e a alta dos juros, prometendo austeridade fiscal e ataques ao Supremo Tribunal Federal. Ronaldo Caiado, do PSD, também atacou o governo Lula e defendeu reformas. Lula e Renan Santos foram convidados, mas recusaram. Segundo o Datafolha citado na cobertura, Lula e Flávio lideram a corrida, com 41% e 31% das intenções de voto, enquanto Caiado aparece com 3% e Zema, com 2%.
O que ainda não se sabe é como a proposta seria operacionalizada na prática, se passaria por crivo de constitucionalidade diante da distinção por gênero, e qual seria a reação formal de movimentos sociais, de entidades de defesa dos direitos das mulheres e dos adversários de Zema. A equipe do pré-candidato não detalhou o desenho da medida.