O pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais pelo Partido Novo, voltou a criticar publicamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Vorcaro está preso em São Paulo, acusado pela Polícia Federal de chefiar um esquema de fraudes financeiras que pode chegar a R$ 12 bilhões. As declarações de Zema ocorreram em uma série de entrevistas ao longo de maio e junho de 2026, em meio ao aquecimento da corrida presidencial.
O atrito ganhou força após a divulgação de um áudio em que Flávio Bolsonaro aparece cobrando recursos do banqueiro para financiar o filme 'Dark Horse', produção sobre Jair Bolsonaro. Depois de inicialmente esconder a relação e negar irregularidades, o senador admitiu o pedido de dinheiro em vídeo nas redes sociais, mas afirmou não ter cometido nada de errado. A cobertura de centro, do g1, relatou de forma factual a cronologia do embate, que começou em 13 de maio, quando Zema disse que 'ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável', e se repetiu em 12 e 15 de junho, com novas falas e a reação de Eduardo Bolsonaro, que sugeriu um 'rompimento geral' com o Novo.
Todos os lados convergem nos fatos centrais: Zema manteve e ampliou as críticas, Flávio reconheceu o pedido de dinheiro, e Vorcaro segue preso sob acusação de fraude bilionária. Veículos de esquerda, como o Brasil247, destacaram o tom mais duro de Zema, que chamou Vorcaro de 'banqueiro bandido' que 'merece repúdio', e enfatizaram a contradição do discurso anticorrupção da direita, que cobra coerência ao mirar Lula e o PT mas se associa a um financista investigado. Já a cobertura de centro registrou as falas com atribuição e paridade, sem adjetivação própria, contextualizando o caso Vorcaro e a relação com ministros do STF.
Veículos de direita e o próprio enquadramento das falas de Zema enfatizaram outro ângulo: o ex-governador se apresenta como alternativa de 'terceira via' e insiste que a direita não está dividida, mas estará unida em um eventual segundo turno. Zema relatou que Jair Bolsonaro o teria incentivado a disputar a Presidência, dizendo que 'quanto mais candidatos à direita tiver, melhor'. Ele também reforçou os ataques ao Supremo Tribunal Federal, que classificou como 'poder incendiário', tema sensível ao eleitorado conservador preocupado com o ativismo judicial.
O que ainda não se sabe é como o caso Vorcaro evoluirá na Justiça e qual será o impacto eleitoral concreto do embate sobre as candidaturas de Zema e Flávio Bolsonaro. As reportagens não trazem a réplica detalhada de Flávio às últimas críticas, nem esclarecem o teor exato dos vínculos entre o banqueiro e ministros do STF mencionados de passagem. Também permanece em aberto se o 'rompimento' sugerido por Eduardo Bolsonaro terá efeito prático sobre eventuais alianças na direita.