
AGU pede extinção de ação do Rumble contra Moraes nos EUA
Resumo da cobertura
A Advocacia-Geral da União protocolou no Tribunal Federal da Flórida uma petição pedindo a extinção da ação movida pela Rumble e pela Trump Media contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. O governo argumenta que o processo questiona decisões judiciais proferidas no exercício das funções do ministro, não atos pessoais, e que isso ofende a soberania e a imunidade de jurisdição do Brasil. As empresas acusam Moraes de censura ao suspender perfis de brasileiros residentes nos EUA. O presidente do STF, Edson Fachin, havia autorizado a AGU a atuar no caso em 4 de junho.
O governo brasileiro pediu à Justiça dos Estados Unidos a extinção da ação movida pela plataforma de vídeos Rumble e pela Trump Media & Technology Group contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Em petições protocoladas no Tribunal Federal da Flórida, a Advocacia-Geral da União sustentou que o processo não discute atos pessoais do ministro, mas decisões judiciais proferidas no exercício regular de suas funções no STF. O pedido busca a extinção integral do caso antes mesmo da discussão de mérito.
A cobertura de centro relatou que a AGU classificou a ação como extraordinária e argumentou que um país se envolver em atos jurisdicionais de outro representa grave ofensa à imunidade de jurisdição. Segundo a petição, o Brasil é a verdadeira parte interessada no litígio, porque processar Moraes no exterior por decisões tomadas como integrante da Suprema Corte equivale a submeter o próprio Estado brasileiro à apreciação de um tribunal estrangeiro. A AGU acionou a imunidade soberana, a Doutrina dos Atos de Estado e os princípios de cortesia internacional, conhecidos pelo termo comity, para afirmar que a corte da Flórida não tem jurisdição sobre o caso.
Veículos de direita enfatizaram a origem da disputa: as empresas acusam Moraes de censura por suspender a plataforma Rumble no Brasil e por bloquear perfis de brasileiros residentes nos Estados Unidos, entre eles o blogueiro Allan dos Santos. A tese central das autoras é que o ministro teria extrapolado sua autoridade, e o argumento jurídico se apoia na Constituição americana, que prevê liberdade irrestrita de ideias e opiniões. Nesse enquadramento, o debate central é sobre os limites do poder de um ministro do STF e o alcance de suas decisões sobre cidadãos e empresas fora do território brasileiro.
Veículos de esquerda destacaram o ângulo da soberania e da defesa das instituições. Para essa leitura, a ação das empresas, ligadas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, configura uma tentativa de ingerência externa contra a independência do Judiciário brasileiro, e as decisões de Moraes são apresentadas como resposta a ataques antidemocráticos, não como censura. A AGU rebateu diretamente a tese das empresas ao afirmar que não se trata de um caso em que uma autoridade agiu sem controle ou excedeu claramente sua autoridade legal.
Há pontos em que todas as coberturas convergem. Em 4 de junho, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, autorizou a AGU a entrar no caso e atuar em defesa de Moraes, que chegou a ser notificado por e-mail para responder às acusações. O entendimento de Fachin foi o de que o caso ultrapassa uma questão pessoal e representa uma ameaça à independência do próprio Judiciário. A AGU também pediu que não seja analisado qualquer pedido de declaração de revelia de Moraes antes da apreciação de seus argumentos.
Briefing
O que importa para você
- A petição da AGU pode extinguir a ação na Flórida antes da análise de mérito, definindo se um tribunal dos EUA pode revisar decisões do STF.
- Estão em jogo o alcance de decisões judiciais brasileiras sobre cidadãos e plataformas no exterior e a regulação de redes sociais como a Rumble no Brasil.
Onde os lados divergem
- Esquerda enxerga ingerência externa contra a independência do Judiciário e trata as decisões de Moraes como combate a atos antidemocráticos.
- Direita enfatiza a tese das empresas de que Moraes extrapolou poderes, com a suspensão da Rumble e o bloqueio de perfis vistos como questão de liberdade de expressão.
Onde os lados concordam
Todos os lados reconhecem que a AGU protocolou na Justiça dos EUA o pedido de extinção da ação da Rumble e da Trump Media contra Moraes, que o argumento central do governo é a soberania e a imunidade de jurisdição, e que Fachin autorizou a atuação da AGU em 4 de junho.
O que ainda está incerto
- Não se sabe como o Tribunal Federal da Flórida vai decidir nem se aceitará a entrada formal do Brasil no processo.
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Ponto cego: esse lado ficou de fora.
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
- Poder360AGU pede extinção de ação contra Moraes nos EUAGoverno alega ofensa à soberania e à jurisdição brasileira; empresas acusam decisões de Moraes de censura. Leia no Poder360.
Ver análise editorial
Reportagem de origem em Agência Brasil, adaptada ao padrão do Poder360, com tom factual e neutro. Apresenta a tese da AGU sobre soberania e imunidade de jurisdição e, com paridade, registra que as empresas acusam Moraes de censura sob a Constituição dos EUA. Sem vocabulário valorativo carregado para nenhum lado, caracterizando cobertura de centro.
Linha do Tempo
- 16 de jun. de 2026, 12:22AGU protocola no Tribunal Federal da Flórida petição pedindo a extinção da ação da Rumble e da Trump Media contra Moraes.
- 04 de jun. de 2026, 00:00Presidente do STF, Edson Fachin, autoriza a AGU a entrar no processo nos EUA e atuar em defesa de Alexandre de Moraes.
Fontes

Órgão afirma que Rumble e Trump Media tentam submeter decisões do STF ao controle de tribunais estrangeiros

Governo alega ofensa à soberania e à jurisdição brasileira; empresas acusam decisões de Moraes de censura. Leia no Poder360.
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