O ex-governador e ex-senador Álvaro Dias (MDB) anunciou na segunda-feira, 3 de agosto de 2026, que não disputará uma das duas vagas ao Senado pelo Paraná nas eleições deste ano. A decisão foi comunicada por carta aberta publicada em suas redes sociais, no fim da tarde, e chegou quando ele liderava com folga as pesquisas de intenção de voto no estado. Na nota, escreveu que "nenhuma candidatura se sustenta apenas na vontade de um homem ou da opinião pública" e que, "na política atual, prevalecem os arranjos, as composições e a vontade dos políticos".
O argumento central da carta é a ausência de consenso. "Infelizmente, compreendi que hoje não existem, dentro do grupo político liderado pelo governador, as condições necessárias para construir essa unidade que eu tanto almejei, também em torno do meu nome", afirmou, em referência ao grupo do governador Ratinho Júnior (PSD). Disse ainda que jamais aceitaria ser motivo de divisão, que a política é feita de ciclos e que sai da decisão "com a consciência tranquila". Aos 81 anos, Dias teve quatro passagens pelo Senado, em mandatos iniciados em 1983, 1999, 2007 e 2015, governou o Paraná entre 1987 e 1991 e disputou a Presidência da República em 2018. Não sinalizou candidatura a nenhum outro cargo.
Os dados em que as coberturas convergem são os mesmos. Na pesquisa Genial/Quaest divulgada em 27 de julho, ele aparecia com 20% das intenções de voto, à frente do presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (Republicanos), do ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo) e da ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT), os três com 10% cada. No cenário sem o seu nome, Curi sobe para 14%, Dallagnol e o deputado federal Filipe Barros (PL) vão a 12% e a candidata do PT registra 11%. Há convergência também sobre a cronologia: em 31 de julho, o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca desistiu de concorrer ao governo estadual e passou a vice na chapa de Sandro Alex (PSD), indicado de Ratinho Júnior para a sucessão; em 2 de agosto, a convenção estadual do MDB, em Curitiba, homologou o nome de Dias ao Senado; um dia depois veio a desistência. A primeira vaga da coligação já estava reservada a Curi, e a segunda seguia indefinida.
As ênfases divergem. A cobertura de centro concentrou-se na aritmética eleitoral e na negociação: relatou que a entrada do MDB na aliança do governador foi paga com a indicação do vice, o que deixou a candidatura ao Senado sem espaço, e que aliados temiam que o veterano, liderando as pesquisas, empurrasse o presidente da Assembleia para uma disputa pelo segundo lugar contra concorrentes ligados ao campo bolsonarista. Veículos de direita deram destaque à dimensão pessoal do gesto, à íntegra da carta e à cobrança implícita ao grupo que comanda o estado por descartar o nome mais competitivo, além de recorrerem a levantamentos anteriores, de outro instituto, que mostravam vantagem ainda maior sobre a adversária ligada ao governo federal. Veículos de esquerda, cuja cobertura no conjunto tratou da montagem das chapas ao Senado a partir da disputa em outro estado, enfatizaram que a definição das vagas majoritárias tem sido decidida por cálculo de campo ideológico e por pesquisas internas dos partidos, e não pela preferência declarada do eleitorado.
Há um ponto de atrito entre as coberturas: os números atribuídos ao ex-senador variam conforme o instituto e a data do levantamento, e nem todos os textos explicitam essa diferença, o que pode induzir comparações indevidas entre séries distintas. Também permanece em aberto a segunda vaga da coligação ao Senado paranaense. As alternativas descritas incluem manter apenas o candidato já definido ou indicar uma jornalista filiada ao partido do governador, hipótese que enfrenta resistência de aliados por dividir a mesma base de eleitores. Nenhum veículo do conjunto obteve manifestação do governador, do partido do desistente ou dos partidos que resistiam à candidatura, e não se sabe se houve alguma compensação negociada ao MDB. Também não está esclarecido se o ex-senador apoiará algum dos nomes remanescentes até o prazo final de registro das candidaturas.