A greve dos rodoviários no Rio de Janeiro foi suspensa nesta quarta-feira (1º/7), após três dias de paralisação, em decisão tomada em assembleia da categoria. Com isso, os motoristas de ônibus retomaram o trabalho na quinta-feira (2/7), embora o sindicato tenha informado que permanece em "estado de greve". A paralisação afetou os ônibus municipais e o sistema BRT da capital, atingindo diretamente a população que depende do transporte público.
Pesou na decisão de suspender a greve uma determinação da Justiça do Trabalho. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) definiu que 80% da frota deveria circular durante a paralisação, ampliando o percentual de 50% que havia sido fixado antes pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT-1) por meio de liminar. A cobertura de centro relatou esse ponto como o fato decisivo para o recuo da categoria, uma vez que a manutenção de boa parte da frota nas ruas reduz o efeito prático da greve.
O impasse tem origem na campanha salarial entre o Sindicato dos Rodoviários e as empresas de ônibus. Entre as reivindicações da categoria estão piso de R$ 4 mil para motoristas de veículos convencionais e de R$ 5 mil para os condutores de articulados, vale-alimentação de R$ 1 mil, plano de saúde e odontológico, jornada 5x2 e a substituição dos contratos temporários da Mobi-Rio por vínculos sob o regime CLT. A proposta apresentada pelas empresas, segundo o sindicato, ficou distante desses valores: o salário dos motoristas convencionais passaria de R$ 3.420,16 para R$ 3.570,31, e o dos condutores de articulados, de R$ 4.104,18 para R$ 4.284,35.
Aqui a cobertura se divide. Veículos de esquerda destacaram a distância entre a proposta patronal e as necessidades de uma categoria essencial, enquadrando a decisão judicial de exigir 80% da frota como um limite ao direito de greve e ao poder de negociação dos trabalhadores. Já veículos de direita enfatizaram os transtornos à população e a confusão registrada na assembleia: ao menos cinco ônibus foram depredados e manifestantes insatisfeitos com o fim da paralisação chegaram a cercar o carro do sindicato e a arremessar ovos. Essa mesma cobertura ressaltou que a Rio Ônibus, sindicato das empresas, manteve as garagens abertas e mais de mil ônibus em circulação já no início da manhã.
Uma audiência de conciliação, com sugestão do TRT e do Ministério Público do Trabalho (MPT), terminou sem acordo, e uma nova rodada de negociações ficou marcada para a segunda-feira (6/7). O que ainda não se sabe é se as partes chegarão a um acordo salarial nessa próxima rodada, se a categoria voltará a paralisar caso a negociação fracasse, e qual será a posição definitiva das empresas diante das principais reivindicações, como a efetivação dos temporários da Mobi-Rio.