Área queimada no Brasil fica 31% abaixo da média histórica em 2025
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A área queimada no Brasil em 2025 somou 12,7 milhões de hectares, 31% abaixo da média histórica de 18,4 milhões por ano medida desde 1985, segundo a segunda edição do Relatório Anual do Fogo no Brasil, do MapBiomas. O recuo interrompe uma sequência de expansão e reduz quase pela metade a área atingida em 2024.
O recuo de 31% na área queimada é apresentado como boa notícia, mas com cautela sobre a atribuição de mérito: 2024 foi inflado por El Niño forte, seca extrema e temperaturas recordes, e a virada de 2025 pode refletir clima mais benigno. Com a previsão de novo El Niño intenso, a próxima temporada é vista como o teste real da eficácia das políticas.
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Veículos com viés à esquerda
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O Cerrado ainda queimou 8,7 milhões de hectares e a Caatinga ficou acima da média, com 505 mil hectares. Mato Grosso, Pará e Maranhão concentram 47% da área queimada desde 1985, e 15 municípios respondem por 11% do total, liderados por Corumbá e São Félix do Xingu. A previsão de um El Niño forte nos próximos meses coloca a temporada seguinte em risco.
A disputa é sobre a causa da queda. A leitura de centro apresenta o resultado sem atribuição de mérito, apenas com as falas técnicas do levantamento. Veículos de direita condicionam o mérito: afirmam que a redução pode ter vindo de um ano climaticamente mais benigno, e não do fortalecimento das políticas públicas de prevenção, e apontam a próxima temporada como o teste.
Toda a cobertura trabalha com os mesmos números e trata a queda como real: 12,7 milhões de hectares queimados em 2025, 31% abaixo da média histórica, com a Amazônia no menor patamar em 41 anos e o Pantanal com recuo de 85,6%. Há convergência também sobre o Cerrado seguir como bioma mais atingido e sobre a recorrência do fogo ser o problema estrutural de fundo.
Falta dado que separe o efeito do clima do efeito das políticas de prevenção na queda de 2025. Não há detalhamento do orçamento e das ações executadas no ano, nem informação sobre causas de ignição e responsabilização pelos incêndios.
O Brasil queimou 12,7 milhões de hectares em 2025, área 31% menor do que a média histórica de 18,4 milhões de hectares por ano medida desde 1985. O número consta da segunda edição do Relatório Anual do Fogo no Brasil, divulgado em 21 de julho pelo MapBiomas, iniciativa que monitora as áreas atingidas pelo fogo no país ao longo de 41 anos. O resultado corresponde a cerca de metade da área queimada em 2024 e interrompe uma sequência de expansão das queimadas.
O principal motor da queda foi a Amazônia. Depois de registrar em 2024 a maior área queimada de toda a série histórica, 15,8 milhões de hectares, o bioma caiu para 3,1 milhões de hectares em 2025, a menor marca em 41 anos de monitoramento. O Cerrado permaneceu como o bioma mais atingido, com 8,7 milhões de hectares, patamar ainda assim abaixo da média própria de 9,6 milhões. O Pantanal teve a maior redução proporcional, com 121 mil hectares queimados, queda de 85,6% em relação à sua média histórica. A Caatinga foi a única exceção ao movimento geral, com 505 mil hectares atingidos, acima da média.
Os números são idênticos em toda a cobertura, e é aí que os lados convergem. A cobertura de centro reproduziu o levantamento em chave técnica, detalhando a distribuição regional do fogo: Mato Grosso, Pará e Maranhão concentram 47% de toda a área queimada desde 1985, e apenas 15 municípios respondem por 11% do total, com Corumbá, no Mato Grosso do Sul, e São Félix do Xingu, no Pará, à frente do ranking histórico. Também destacou os indicadores inéditos do relatório: 64% da área queimada no país teve severidade moderada ou baixa, mas na Mata Atlântica, no Pampa e no Pantanal metade ou mais do território atingido queimou com severidade alta ou muito alta. Outro dado repetido em todas as versões é a recorrência: 64% de toda a área queimada desde 1985 pegou fogo mais de uma vez, e na Amazônia 31,6% dessas áreas voltaram a queimar em até dois anos, prazo curto demais para a recuperação de uma vegetação que não é adaptada ao fogo.
A divergência aparece na atribuição de causa. Veículos de direita enfatizaram a cautela: lembraram que 2024 foi inflado por um forte episódio de El Niño, seca extrema e temperaturas recordes, e registraram que a próxima temporada dirá até que ponto a redução de 2025 decorreu de condições climáticas mais favoráveis ou do fortalecimento das políticas de prevenção e combate ao fogo. Nessa leitura, a previsão de um novo El Niño de forte intensidade nos próximos meses transforma o próximo ciclo no teste real da eficácia da gestão pública. Nenhum veículo de esquerda havia coberto o relatório até o fechamento desta reportagem; o enquadramento habitual desse campo tenderia a creditar a queda ao reforço da fiscalização e da coordenação federal, tratando o resultado como argumento a favor de orçamento estável para brigadas e prevenção.
Há um ponto em que todas as versões coincidem: o valor do levantamento está menos no número de um ano isolado e mais na série de quatro décadas, que permite saber onde o fogo é recorrente, com que frequência retorna e qual a sua severidade potencial, base para orientar a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo. Pesquisadores ligados ao monitoramento afirmam que essa leitura de regime, e não a foto anual, é o que orienta prioridade e prevenção.
O que ainda não se sabe é o essencial. Nenhuma das versões apresenta dados que separem o efeito do clima do efeito das políticas públicas na queda de 2025. Também não há detalhamento das ações executadas ao longo do ano, do orçamento aplicado em prevenção, nem das causas de ignição e da responsabilização por incêndios. E não há avaliação independente que projete o comportamento do fogo caso o novo El Niño se confirme.

O Relatório do MapBiomas Fogo ajuda a entender e traçar estratégicas de prevenção e combate
