A arrecadação federal bateu recorde em maio de 2026, somando R$ 266,8 bilhões, alta real de 10,7% em relação ao mesmo mês de 2025. Foi o maior resultado para um mês de maio desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, a arrecadação chegou a R$ 1,322 trilhão, com avanço real de 6,42%. Os dados foram divulgados pela Receita Federal.
A cobertura de centro relatou que o desempenho tem dois motores principais: o crescimento da economia brasileira e os aumentos de impostos anunciados nos últimos anos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre as novidades, apareceu pela primeira vez o efeito do imposto de exportação sobre o óleo bruto de petróleo, recriado temporariamente a uma alíquota de 12% para compensar os subsídios ao diesel. Esse tributo respondeu por R$ 1,048 bilhão em maio, e a previsão de mercado é que renda cerca de R$ 3 bilhões por mês adiante. O choque do petróleo também elevou a arrecadação de royalties.
Outro destaque comum às coberturas foi o Imposto sobre Operações Financeiras. O IOF arrecadou R$ 8,157 bilhões em maio, alta de 31,11% sobre o ano anterior, e já acumula avanço de 38,77% em 2026, totalizando R$ 41,823 bilhões. O salto decorre da majoração das alíquotas feita no ano passado para reforçar o resultado fiscal.
É no enquadramento que as coberturas divergem. Veículos de direita enfatizaram o peso crescente da carga tributária, descrevendo o recorde como fruto da recriação de tributos e da elevação de alíquotas pelo governo Lula. Esses veículos destacaram ainda uma frustração relevante: a retenção do Imposto de Renda na fonte sobre dividendos rendeu apenas R$ 1,5 bilhão neste ano, muito distante da meta. Para 2026, o governo estima arrecadar cerca de R$ 30 bilhões com o imposto mínimo sobre a alta renda, sendo R$ 23,76 bilhões da tributação de dividendos e R$ 6,18 bilhões de rendimentos no exterior. Esse dinheiro foi desenhado para compensar a perda decorrente da ampliação da isenção do IRPF para quem ganha até R$ 5 mil por mês, cuja renúncia é estimada em R$ 28,04 bilhões.
Veículos de esquerda tenderiam a ler os mesmos números como sinal de um Estado mais capaz de financiar políticas públicas e de fazer setores de maior capacidade contributiva, como grandes exportadores e detentores de altos dividendos, participarem mais do esforço fiscal, ao mesmo tempo em que se alivia a carga sobre os assalariados de menor renda.
O que ainda não se sabe é se a arrecadação com dividendos vai de fato alcançar a meta anual, já que ela depende do calendário de distribuição de lucros das empresas e do ajuste final na declaração do ano seguinte, o que pode provocar oscilações ao longo do exercício. Tampouco está claro se o ritmo do imposto de exportação sobre o petróleo se sustentará nos próximos meses caso o preço internacional recue.