A arrecadação federal brasileira somou R$ 266,8 bilhões em maio de 2026, segundo dados divulgados pela Receita Federal. O valor representa uma alta real de 10,7% na comparação com maio do ano anterior e é o maior resultado já registrado para o mês desde o início da série histórica, em 1995. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, a arrecadação atingiu R$ 1,322 trilhão, com crescimento real de 6,42%.
Um dos destaques do mês foi o efeito do novo imposto de exportação sobre o óleo bruto de petróleo, instituído em março a uma alíquota de 12%. O tributo, recriado temporariamente para compensar os subsídios ao diesel, apareceu pela primeira vez nos resultados de maio e respondeu por R$ 1,048 bilhão. Como o imposto é recolhido 60 dias após o embarque, os primeiros pagamentos só começaram a entrar em meados de maio. Projeções do economista Fábio Serrano, do BTG, indicam que o tributo deve render cerca de R$ 3 bilhões por mês daqui para frente. O choque do petróleo também impulsionou a arrecadação de royalties, com a receita própria de outros órgãos federais subindo 56,28% em termos reais.
A cobertura de centro relatou o fato de forma direta, atribuindo o recorde ao crescimento da economia brasileira e aos aumentos de impostos anunciados nos últimos anos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O foco foi o número em si e a comparação histórica, sem juízo de valor sobre a política fiscal.
Já veículos de direita enfatizaram o peso da carga tributária por trás do recorde. Essa cobertura destacou que o resultado decorre de sucessivos aumentos de impostos, em especial a majoração das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras, o IOF, que subiu 31,11% em maio e acumula alta de 38,77% no ano, totalizando R$ 41,823 bilhões. O ângulo dessa cobertura foi a frustração de uma das principais apostas do governo: a tributação dos dividendos, que rendeu apenas R$ 1,5 bilhão no ano, muito distante da meta de cerca de R$ 30 bilhões estimada para 2026. Como essa tributação foi desenhada para compensar a desoneração do Imposto de Renda da Pessoa Física, estimada em R$ 28,04 bilhões, a leitura à direita aponta risco de descompasso nas contas.
Pela ótica que veículos de esquerda costumam adotar, os mesmos dados sustentam a leitura de que a estratégia fiscal funciona: o recorde reflete uma economia aquecida e um Estado mais capaz de arrecadar de setores e operações que antes contribuíam pouco. Nessa visão, o imposto sobre a exportação de petróleo e a tributação de dividendos cumprem um papel redistributivo, financiando a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês e o desconto parcial para rendas de até R$ 7.350.
A Receita explica que a arrecadação com dividendos não é linear ao longo do ano, pois depende do calendário de distribuição de lucros das empresas, e que o ajuste final do imposto mínimo sobre a alta renda só ocorre na declaração anual do ano seguinte. Por isso, o número baixo até aqui não significa necessariamente que a meta anual será descumprida.
O que ainda não se sabe é se a tributação de dividendos vai de fato alcançar os R$ 30 bilhões projetados para 2026 e se a arrecadação extra com petróleo, IOF e dividendos será suficiente para cobrir integralmente a perda com a desoneração do IRPF. Esse fechamento de conta só ficará claro ao longo do segundo semestre e na declaração do ano que vem.