O Republicanos oficializou no sábado, 1º de agosto de 2026, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, a candidatura à reeleição do governador Tarcísio de Freitas. A convenção estadual reuniu 12 legendas em torno do nome do governador e teve como convidado principal o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, além do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes. No discurso, Tarcísio agradeceu a Jair Bolsonaro pela indicação que o levou à disputa em 2022, listou entregas do primeiro mandato, com destaque para saneamento, obras de mobilidade e segurança pública, prometeu priorizar a proteção das mulheres e atacou o adversário petista, Fernando Haddad, a quem descreveu como alguém que prometeu tudo e não entregou nada.
O quadro eleitoral em São Paulo aparece igual em todas as coberturas. Pesquisa do instituto Quaest divulgada na semana da convenção aponta 41% das intenções de voto para o governador contra 26% de Haddad no primeiro turno, e 48% contra 32% em um eventual segundo turno, com aprovação de 55% para a gestão estadual. A coligação de 12 partidos garante ao governador cerca de 71% do tempo de propaganda no rádio e na televisão, contra 29% do adversário. Faltaram ao palco caciques como Valdemar Costa Neto, Ciro Nogueira e Gilberto Kassab, este último por ser candidato a vice na chapa presidencial de Ronaldo Caiado, rival do presidenciável apoiado pelo governador.
A cobertura de centro relatou os fatos com foco em logística, números e articulação partidária: o formato de arena do evento, a expectativa de público, a lista de dirigentes presentes e a agenda seguinte do partido, incluindo a convenção nacional marcada para terça-feira, 4 de agosto, em Brasília, a portas fechadas e sem a presença do governador, que participaria de uma sabatina em televisão no mesmo horário. Essa cobertura também registrou que o impasse sobre a candidatura do senador Cleitinho Azevedo ao governo de Minas Gerais ficou para depois da convenção paulista, com reunião prevista para a segunda-feira seguinte.
Veículos de direita enfatizaram a unificação do campo conservador com partidos de centro em torno do governador, o favoritismo consolidado na disputa estadual e o tom de continuidade administrativa. Nas transcrições dos palanques, o discurso é de confronto direto com o Partido dos Trabalhadores: em Santa Catarina, na convenção do PL realizada no mesmo dia, parlamentares falaram em perseguição do Supremo Tribunal Federal à direita, na promessa de indicar novos ministros à Corte e na leitura de que criminosos devem ser tratados como criminosos. No domingo, na convenção do partido no Distrito Federal, o candidato à Presidência repetiu propostas de redução da maioridade penal, castração química para estupradores e anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Veículos de esquerda destacaram outro ângulo do mesmo arco: o esvaziamento da convenção nacional do Republicanos, a tendência de neutralidade do partido na disputa presidencial e o isolamento do candidato do PL, que até então não havia fechado coligação nacional. Nessa leitura, a neutralidade ameaça a aposta de o presidenciável ter a ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, como vice, e escancara a distância entre um palanque estadual forte e uma candidatura presidencial frágil. Do outro lado do tabuleiro, a convenção nacional do PSB, em 29 de julho, oficializou Geraldo Alckmin como vice na chapa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com discursos que trataram a aliança como defesa da democracia, cobraram o Congresso por pautas sociais e prometeram palanques nos 27 estados.
O que ainda não se sabe: se o Republicanos aprovaria formalmente a neutralidade ou fecharia coligação nacional com o PL, quem será a vice na chapa do presidenciável, qual será o desfecho da candidatura ao governo de Minas Gerais em disputa dentro do partido e em que medida o favoritismo do governador paulista se converte em voto para o candidato à Presidência que ele apoia. O prazo legal para o encerramento das convenções partidárias termina em 5 de agosto.