Senado dos EUA investiga sindicato IAM após ato de solidariedade a Cuba
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A investigação do senador Bill Cassidy contra a Associação Internacional de Maquinistas e Trabalhadores Aeroespaciais é lida como retomada do macartismo: o Estado usa o poder de investigar para punir sindicato que cedeu sua sede a um debate sobre o embargo a Cuba. Ceder espaço para reunião pública e discutir política externa é atividade protegida pela Primeira Emenda, e transformar isso em suspeita de conluio com potência estrangeira intimida todo o movimento sindical e as organizações que defendem a paz.
O presidente do Comitê de Saúde, Educação, Trabalho e Pensões do Senado dos Estados Unidos, o republicano Bill Cassidy, abriu investigação formal sobre a Associação Internacional de Maquinistas e Trabalhadores Aeroespaciais (IAM), um dos maiores sindicatos industriais do país.
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A carta do senador Bill Cassidy tem 18 perguntas e cobra da IAM documentos sobre contribuições sindicais, uso da sede e contatos com organizações cubanas. Segundo a cobertura, o Departamento de Justiça e o Departamento do Tesouro apuram 145 organizações de solidariedade a Cuba, e o Comitê de Meios e Recursos da Câmara emitiu intimações contra entidades progressistas, entre elas o The People's Forum.
Não há prazo divulgado para a resposta da IAM nem manifestação pública do sindicato. Não se sabe quais medidas o comitê pode adotar se a documentação não for entregue, se haverá audiência, nem existe confirmação oficial e documentada das apurações atribuídas ao Departamento de Justiça e ao Departamento do Tesouro.
O presidente do comitê de trabalho do Senado dos Estados Unidos, o republicano Bill Cassidy, abriu investigação formal contra a Associação Internacional de Maquinistas e Trabalhadores Aeroespaciais depois que a sede do sindicato na Califórnia recebeu uma reunião pública sobre o embargo a Cuba. A cobertura disponível até agora parte de um único veículo.
O presidente do Comitê de Saúde, Educação, Trabalho e Pensões do Senado dos Estados Unidos, o republicano Bill Cassidy, da Louisiana, abriu uma investigação formal sobre a Associação Internacional de Maquinistas e Trabalhadores Aeroespaciais, conhecida pela sigla IAM, um dos maiores sindicatos industriais do país. O motivo é uma reunião pública realizada em 9 de maio na sede sindical de Wilmington, na Califórnia, dedicada a discutir a política externa norte-americana em relação a Cuba.
O encontro foi organizado pelo Comitê de Los Angeles para Tirar as Mãos de Cuba e reuniu cerca de 40 pessoas presencialmente, além de participantes por videoconferência. O tema central foi o embargo comercial imposto pelos Estados Unidos à ilha. Entre os que falaram estavam sindicalistas recém-chegados de uma viagem de intercâmbio com trabalhadores cubanos. Participou remotamente David Ramírez Álvarez, funcionário da embaixada de Cuba, e foi essa presença que mais chamou a atenção do senador.
Cassidy enviou uma carta ao presidente da IAM, Brian Bryant, com 18 perguntas e pedido de documentação sobre os supostos vínculos do sindicato com o governo cubano. O texto quer saber o valor médio anual das contribuições pagas pelos filiados, se os organizadores do evento pagaram valor de mercado pelo uso do espaço, se dirigentes coordenaram ações com organizações cubanas e se algum membro procurou autoridades federais para defender mudança na política em relação à ilha. Na mesma carta, o senador acusa o sindicato de conspirar com o regime cubano e de obrigar filiados a financiar propaganda antiamericana com dinheiro de contribuições.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, com perfil editorial à esquerda, e a apuração disponível parte desse único relato. Essa cobertura descreve a investigação como uma ofensiva neomacartista contra sindicatos e entidades progressistas, sustenta que ceder a sede para uma reunião pública é atividade protegida pela Primeira Emenda da Constituição norte-americana e afirma que o Departamento de Justiça e o Departamento do Tesouro apuram as atividades de 145 organizações de solidariedade a Cuba. Registra ainda que o Comitê de Meios e Recursos da Câmara dos Representantes emitiu intimações judiciais contra organizações progressistas, entre elas o The People's Forum. O material lembra que a Assembleia Geral das Nações Unidas condena o embargo ano após ano.
Como não há cobertura de centro nem de direita sobre o episódio no conjunto analisado, os argumentos do senador chegam ao leitor apenas pelo recorte reproduzido da carta e por citação de reportagem de outro veículo, sem contexto próprio nem resposta da assessoria dele. Também não consta manifestação da IAM, que é a parte diretamente cobrada. Isso significa que acusação e defesa não estão equilibradas no material disponível: um lado é descrito por quem o critica, e o outro fala pelo texto que o defende.
O que ainda não se sabe é decisivo para medir o alcance do caso. Não há informação sobre o prazo dado ao sindicato para responder, sobre quais poderes de coerção o comitê pode acionar caso a documentação não seja entregue, nem sobre a existência de audiência marcada. Também não há confirmação oficial e documentada das apurações atribuídas ao Departamento de Justiça e ao Departamento do Tesouro, nem a lista das 145 organizações citadas. Por fim, permanece em aberto se a IAM vai entregar os documentos, contestar o pedido na Justiça ou responder parcialmente, e se outros sindicatos serão notificados nos mesmos termos.
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