Augusto Cury critica polarização após ameaçar boicotar debate presidencial
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O escritor e psiquiatra Augusto Cury, candidato à Presidência da República pelo partido Avante, concentrou o fim de semana na crítica à polarização. No sábado, em agenda no interior de São Paulo, disse em transmissão ao vivo que apoiadores que ignoram erros prejudicam tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto o ex-presidente Jair Bolsonaro. No domingo, anunciou a jornalistas que não participaria do primeiro debate presidencial de 2026, chamou o evento de teatro e, minutos depois, mudou de ideia e entrou no estúdio ao lado de Ronaldo Caiado, do PSD, e Renan Santos, do Missão. O encontro foi esvaziado pelas ausências de Lula, do senador Flávio Bolsonaro e de Romeu Zema. Pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira aponta Lula com 39%, Flávio Bolsonaro com 33% e Cury com 2%, em sexto lugar.
O episódio expõe menos a polarização e mais o comportamento dos favoritos na disputa presidencial de 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia indicado que não pretende participar de encontros que, segundo ele, servem para ouvir bobagem; o senador Flávio Bolsonaro condicionou sua presença à do adversário; Romeu Zema também faltou.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Toda a cobertura registra os mesmos fatos centrais: Augusto Cury, do Avante, fez da crítica à polarização o eixo do discurso, o primeiro debate presidencial de 2026 foi esvaziado pelas ausências de Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, e a pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira coloca o candidato com 2%, atrás de Lula (39%) e Flávio Bolsonaro (33%).
Augusto Cury, escritor e psiquiatra candidato à Presidência pelo Avante, passou o fim de semana atacando a polarização: primeiro em agenda no interior de São Paulo, depois no primeiro debate presidencial de 2026, ao qual chegou anunciando que não entraria. A cobertura de centro e a de direita contaram o episódio por ângulos diferentes.
O escritor e psiquiatra Augusto Cury, candidato à Presidência da República pelo partido Avante, passou o fim de semana tentando transformar a crítica à polarização em plataforma de campanha. No sábado (22), em agenda no interior de São Paulo, defendeu o fim do que chamou de torcida na política. No domingo (23), depois de anunciar a jornalistas que não participaria do primeiro debate presidencial da eleição de 2026, mudou de ideia e entrou no estúdio para dividir o palco com Ronaldo Caiado, do PSD, e Renan Santos, do Missão.
A cobertura de centro relatou os dois momentos com detalhe factual. Em Ribeirão Preto, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, Cury afirmou que apoiadores que ignoram os erros dos políticos prejudicam tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto o ex-presidente Jair Bolsonaro, e disse que a política brasileira virou quase religião. No debate, repetiu a tese com outra imagem: sustentou que o país está radicalizado, que venderam a ideia mentirosa de que existem dois barcos e que 90% das dores da população não têm cor partidária. Em seguida falou de violência contra mulheres, desemprego de jovens e impactos da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho. A mesma cobertura registrou que ele já se declarou de centro em entrevista anterior, com a fórmula 'mente de direita e coração social', e que seu slogan de campanha é 'centrado no que importa'. Também narrou o vaivém da noite: último a chegar, chamou o evento de teatro, disse que não entraria em protesto e recuou minutos depois.
Veículos de direita deslocaram o foco do candidato para o esvaziamento do debate. Quatro presidenciáveis anunciaram ausência, entre eles Lula, que havia indicado não pretender participar de encontros que, segundo ele, servem apenas para ouvir bobagem, e o senador Flávio Bolsonaro, do PL, que condicionou sua presença à do adversário. Romeu Zema, do Novo, também faltou. Essa cobertura tratou o caso como padrão da campanha: Sergio Moro desistiu de última hora do primeiro debate no Paraná, e Eduardo Paes, no Rio de Janeiro, Roberto Cidade, no Amazonas, e Daniel Vilela, em Goiás, seguiram o mesmo caminho nos estados. Especialistas ouvidos avaliaram que a ausência é cálculo eleitoral de quem lidera pesquisas ou já é conhecido do eleitorado e enxerga mais risco do que ganho na exposição, com o custo de reduzir a chance de o eleitor comparar propostas lado a lado.
Não houve, até aqui, cobertura de veículos de esquerda sobre este arco. A leitura previsível desse campo, a partir dos mesmos fatos, seria a de que o discurso de superação dos polos dilui diferenças concretas de projeto entre as candidaturas, justamente nos temas que o próprio candidato elencou no palco, e que o problema central do debate vazio é a fuga dos favoritos à prestação de contas pública, não a polarização em si.
Os relatos convergem em dois pontos. O primeiro é numérico: a pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (21), a primeira depois do início oficial das campanhas, aponta Lula com 39%, Flávio Bolsonaro com 33% e Cury com 2%, em sexto lugar entre os presidenciáveis. O segundo é a queixa do próprio candidato sobre alcance. Ele afirmou que campanhas concorrentes gastam dezenas de milhões de reais para impulsionar conteúdo nas redes sociais e que a maioria de seus seguidores sequer sabe que ele disputa a Presidência, porque, nas palavras dele, o algoritmo não tem democracia.
O que ainda não se sabe é o que ficou de fora de todas as versões. Nenhuma delas detalha o que Cury propõe em segurança pública, economia ou política social além dos temas que enumerou no palco. Também não há resposta das campanhas de Lula, de Flávio Bolsonaro e de Romeu Zema às críticas feitas no estúdio, nem confirmação de que os ausentes participarão dos próximos debates do calendário eleitoral. Nenhuma cobertura traz a ficha técnica da pesquisa citada, com margem de erro e número de entrevistados, e não há dado que permita medir se a bandeira antipolarização move intenção de voto: o único número disponível é o de 2%, medido antes do fim de semana.
Candidato à Presidência pelo Avante defende o fim da polarização e critica a falta de autocrítica de apoiadores em Ribeirão Preto.

Candidato do Avante expôs sua insatisfação com as ausências do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL)

Com a desistência de Zema, Cury (Avante), Lula (PT) e Bolsonaro (PL), o debate terá a participação apenas de Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD)
