O pré-candidato à Presidência da República Augusto Cury, do Avante, telefonou na quinta-feira, 30 de julho, para o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, candidato do Novo ao Planalto, e propôs a formação de uma chapa única já no primeiro turno da eleição de 2026. A iniciativa foi anunciada pelo próprio Cury em uma carta aberta, na qual afirma ter tido uma excelente conversa com Zema e diz que ambos ficaram animados com a perspectiva de uma aliança. A campanha do candidato do Novo confirmou que houve o contato, mas afirmou que não havia nada firmado.
A cobertura de centro relatou os termos da proposta com apoio no documento público. Cury sustenta que ele e Zema compartilham a mesma origem empresarial, com trajetórias construídas fora da política tradicional, e visões próximas sobre responsabilidade fiscal, eficiência da gestão pública, valorização do empreendedorismo e redução da polarização. Na carta, o pré-candidato do Avante também menciona o ex-ministro Aldo Rebelo como opção para a chapa, mas diz que um conflito interno no partido dele dificulta a costura no tempo disponível. Caso a união se concretizasse, Cury afirma que buscaria montar um governo com gestores da iniciativa privada, governadores de diferentes partidos e economistas de perfil técnico.
Os pontos factuais em que toda a cobertura converge são poucos e claros. A conversa ocorreu por telefone e foi divulgada por apenas um dos lados. O partido do ex-governador o havia referendado como candidato à Presidência três dias antes. Nas pesquisas de intenção de voto divulgadas em julho, os dois nomes somavam cerca de cinco por cento, com o candidato do Novo em torno de três por cento e o do Avante em torno de dois por cento, empatados dentro da margem de erro. E há um relógio correndo: o prazo para a definição das chapas se encerra em 5 de agosto. Um dos argumentos apresentados na negociação foi justamente o tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão, estimado em 36 segundos no primeiro turno, que o candidato do Novo não teria sozinho.
As ênfases variam. Veículos de esquerda destacaram o limite do que foi de fato acordado, sublinhando que o pré-candidato do Avante não informou se o ex-governador aceitou formalmente a proposta, e recuperaram o histórico de idas e vindas na montagem de chapas nesse campo, incluindo o nome que foi preterido por outro que depois desistiu da disputa. Parte da cobertura de centro foi além e apurou que o candidato do Novo pretende manter a candidatura ao Planalto e não aceitaria ser vice, além de registrar, um dia depois, que interlocutores do partido descartavam a composição nos dois sentidos e avaliavam a carta como tentativa de dar visibilidade à campanha do Avante. Veículos de direita não integraram este conjunto de matérias; o ângulo que costuma ser enfatizado por esse campo aparece aqui pelas falas dos próprios candidatos, centradas em gestão privada, contenção de gastos e combate à corrupção, além da preocupação com a dispersão de votos entre nomes que disputam o mesmo eleitorado.
Esse mesmo tom apareceu em entrevista concedida pelo candidato do Novo em 31 de julho, quando ele afirmou que a investigação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal contra o filho do presidente da República deve influenciar a eleição, criticou o que chamou de distância entre a classe política e a população e disse que, em sete anos de governo estadual, não nomeou parentes. A reportagem registrou que as apurações estão em fase inicial e que a defesa nega qualquer irregularidade.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há resposta formal do ex-governador ou de seu partido à proposta, nem manifestação do proponente sobre a avaliação de que o anúncio teria sido uma jogada de campanha. Também segue indefinido quem ocupará a vaga de vice na chapa do Novo, com nomes internos em avaliação e conversas com outra legenda que sinaliza neutralidade na disputa presidencial. Até o fechamento das coberturas, nenhuma das partes havia apresentado documento ou registro de convenção que confirmasse qualquer aliança.