Uma comissão internacional de bispos ligada ao movimento religioso Apostolic Confluence Movement divulgou uma declaração em que afirma não reconhecer a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, e levanta suspeitas de fraude eleitoral. O documento, intitulado "Declaração: Possível Fraude Eleitoral no Brasil", é datado de 26 de outubro, um dia depois do segundo turno, e foi publicado no Instagram pelo bispo Leo Assis em colaboração com o grupo.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, de centro, relatando que o grupo não apresentou provas de irregularidades na votação. Nenhum veículo de esquerda nem de direita cobriu esta história no conjunto analisado.
Segundo a cobertura de centro, a declaração questiona o crescimento de mais de 10 milhões de votos para Lula entre os dois turnos, enquanto o senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, teria registrado aumento de cerca de 3,7 milhões. O grupo também cita a abstenção, os votos brancos e nulos e as pesquisas eleitorais como justificativas para pedir uma investigação técnica independente.
A matéria contrapôs esses argumentos aos números oficiais. Lula foi reeleito no domingo, 25 de outubro, com 64.256.232 votos, ou 51,79% dos válidos, contra 59.826.041 votos, ou 48,21%, de Flávio. O texto explicou que a diferença entre os turnos não comprova fraude, porque os votos de candidatos eliminados podem migrar para os concorrentes restantes, e porque a participação e a preferência dos eleitores mudam.
Na quarta-feira, 28 de outubro, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, afirmou que as eleições transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais. A declaração religiosa veio no mesmo contexto em que Flávio Bolsonaro divulgou, também na quarta-feira, uma carta na qual alega fraude eleitoral sem apresentar provas. De acordo com a matéria, o candidato derrotado deixou o país rumo aos Estados Unidos com a família, e a Polícia Federal pediu a apreensão de seu passaporte minutos depois de o tribunal declarar o resultado, pedido avalizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Como houve uma única cobertura, não há divergência entre lados a registrar. O texto analisado não trouxe entrevista com o bispo Leo Assis nem com representantes do grupo, e não informou o tamanho ou a representatividade do movimento no Brasil.
Até a noite de 28 de outubro, quando saiu a matéria analisada, não havia informação sobre qualquer pedido formal de investigação apresentado pelo grupo à Justiça Eleitoral, nem sobre resposta do tribunal especificamente à declaração dos bispos.