A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro protocolou no Supremo Tribunal Federal, na quarta-feira, 5 de agosto de 2026, um pedido para que ele receba a visita de três de seus filhos no domingo, 9 de agosto, Dia dos Pais. O requerimento, dirigido ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, pede autorização em caráter que os advogados chamam de absolutamente excepcional para a presença de Carlos Bolsonaro, de Jair Renan Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, na tarde daquele dia. Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, não foi incluído no pedido.
Os advogados sustentam que a solicitação tem caráter estritamente humanitário e familiar e que o encontro preservaria os vínculos de convivência entre pai e filhos sem comprometer o cumprimento da pena nem as cautelares em vigor. Pedem ainda que o ministro fixe livremente o período e as condições da visita. Flávio Bolsonaro, que integra formalmente o grupo de advogados do pai, também assina a petição.
O pedido nasce de um quadro restritivo montado em julho. Bolsonaro cumpre em casa, em Brasília, a pena de 27 anos e três meses imposta pela condenação por tentativa de golpe de Estado, em regime domiciliar concedido por razões de saúde. Ele se recupera de uma pneumonia bacteriana. Em 13 de julho, Moraes suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio, prazo que se estende até depois do primeiro turno das eleições. Em 17 de julho, ampliou a restrição: por 30 dias, apenas advogados, médicos e fisioterapeutas poderiam ir à residência, e ficaram proibidas visitas com finalidade político-eleitoral até o fim do pleito de outubro. O gatilho foi a divulgação, por Flávio nas redes sociais, de uma carta manuscrita em que o ex-presidente o designa como porta-voz na disputa eleitoral. Para o ministro, houve desvio de finalidade do direito de visita e descumprimento da proibição de uso de redes sociais por intermédio de terceiros. A defesa recorreu, chamou a suspensão integral de desproporcional e afirmou que Bolsonaro não sabia que a carta seria publicada. Na terça-feira, 4 de agosto, Moraes abriu prazo de cinco dias para a Procuradoria-Geral da República opinar sobre manter ou não a restrição.
Esses fatos aparecem em todas as coberturas. A cobertura de centro concentrou-se no trâmite processual: o teor da petição, a exclusão de Eduardo, o prazo aberto à Procuradoria e o fato de que a palavra final é do relator. Veículos de esquerda mantiveram o registro factual e sublinharam a origem da restrição, lembrando que a proibição decorre de descumprimento de medida cautelar por parte do próprio condenado e que a pena tem origem na trama golpista. Veículos de direita deram maior peso à dimensão pessoal e humanitária do caso: destacaram a expressão prisão domiciliar humanitária, o estado de saúde do ex-presidente e da ex-primeira-dama, o efeito das restrições sobre a pré-campanha de Flávio e a crítica de aliados de que a Corte estaria interferindo na eleição. Um veículo de direita abriu ainda uma frente paralela ao noticiar que a filha de um homem morto na Papuda após os atos de 8 de janeiro pediu autorização para uma visita que chamou de terapêutica e consolatória.
Não há decisão. Moraes ainda não se pronunciou sobre o pedido, a Procuradoria-Geral da República ainda corre no prazo e não se sabe se uma eventual autorização alcançaria Flávio, cuja proibição é a mais longa e a única atrelada ao calendário eleitoral. Também não foi esclarecido se o ministro imporia condições como duração do encontro, registro da visita ou vedação de manifestações públicas depois dela.