O Brasil concluiu a ratificação de dois acordos de livre comércio do Mercosul, um com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e outro com Singapura, movimento que amplia o acesso das exportações nacionais a mercados estratégicos na Europa e na Ásia. Os instrumentos de ratificação foram depositados em 30 de junho junto ao governo do Paraguai, país que presidiu o bloco no primeiro semestre, encerrando a etapa brasileira dos dois processos. A informação foi confirmada pelos Ministérios das Relações Exteriores, da Agricultura e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
A cobertura de centro, de tom factual, detalhou os números por trás dos acordos. O tratado com Singapura, assinado em dezembro de 2023 na 63ª Cúpula do Mercosul, é o primeiro firmado pelo bloco com um país do Sudeste Asiático e entra em vigor para o Brasil em 1º de agosto, garantindo tarifa zero para 100% das exportações brasileiras destinadas ao país. Em 2025, a corrente de comércio entre os dois países somou US$ 10,7 bilhões, com superávit de US$ 4,1 bilhões para o lado brasileiro, puxado por óleos combustíveis, máquinas e carnes bovina, suína e de aves. Já o acordo com a EFTA, que reúne Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça, dá acesso preferencial a cerca de 99% do valor exportado pelo Brasil aos quatro países europeus e forma, com o bloco sul-americano, um mercado de mais de 280 milhões de consumidores.
Os dois acordos foram aprovados e promulgados pelo Congresso Nacional em junho. Segundo o governo, com a entrada em vigor dos pactos com a União Europeia, a EFTA e Singapura, a parcela da corrente de comércio brasileira beneficiada por preferências tarifárias passará de 12% para 31,2%, quase triplicando essa fatia. Em paralelo, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços abriu consulta pública sobre um eventual acordo entre Mercosul e Japão, com contribuições aceitas até 15 de agosto pela plataforma Brasil Participativo.
Veículos de esquerda enfatizaram a ratificação como avanço da estratégia de diversificação de parcerias conduzida pelo governo e pela diplomacia, destacando o papel coordenado do Estado na abertura de novas frentes e a consulta ao Japão como método participativo. A leitura de mercado, mais afeita à direita, tende a ressaltar o ganho de competitividade e a redução de tarifas como estímulo à livre iniciativa e à produtividade do agronegócio e da indústria, além da modernização representada pelo capítulo de comércio eletrônico negociado com Singapura, o primeiro do Mercosul com um parceiro extrarregional.
O que ainda não se sabe é o cronograma completo de ratificação pelos demais países da EFTA, dos quais até agora apenas a Islândia concluiu o processo, e os eventuais impactos sobre setores da indústria nacional expostos à concorrência importada, ponto pouco explorado pelas fontes disponíveis. Também permanece em aberto o desdobramento das negociações com o Japão, ainda em fase de consulta preliminar.