Uma pesquisa da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, parte do levantamento Latam Pulse divulgado nesta sexta-feira, 3 de julho, mostrou que criminalidade, tráfico de drogas e corrupção são hoje os problemas que mais preocupam os brasileiros. Segundo o estudo, 66,8% dos entrevistados apontaram criminalidade e tráfico como o principal problema do país, seguidos pela corrupção, citada por 57,9%, e por economia e inflação, lembradas por 22,5%. Os participantes podiam escolher até três opções.
A cobertura de centro, representada pela CNN Brasil, detalhou o ranking completo e o contexto por trás dos números. A percepção sobre criminalidade subiu 3,9 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior e atingiu o maior patamar desde outubro de 2024. A própria AtlasIntel atribuiu parte dessa alta ao debate público sobre o enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas, que ampliou a visibilidade do tema. Já a corrupção cresceu 2,8 pontos e chegou a 57,9% em meio ao avanço das investigações envolvendo o Banco Master e à apuração relacionada ao senador Jaques Wagner. Ainda segundo a cobertura de centro, após economia e inflação aparecem extremismo e polarização política, situação da educação, violência contra a mulher e feminicídio, enfraquecimento da democracia, situação da saúde e mau funcionamento da Justiça.
Veículos de direita, como a Revista Oeste, enfatizaram a leitura de que a população cobra ordem e responsabilização, destacando a série histórica de alta da segurança pública e associando o resultado à expectativa, medida em outros levantamentos, de novos casos de corrupção no governo Lula. Nesse enquadramento, o dado sustenta a defesa do endurecimento contra o crime organizado e da accountability de agentes públicos.
Veículos de esquerda, por sua vez, tendem a interpretar o mesmo retrato como demanda por políticas públicas estruturantes de segurança e por investimento social, e não apenas por respostas punitivas. Nessa chave, o debate sobre facções como organizações terroristas é visto com cautela, pelo risco de militarização e de violação de direitos, sobretudo diante do dado de crescimento da letalidade policial mencionado na cobertura.
Há consenso, entre os diferentes enquadramentos, sobre os números em si: a metodologia ouviu 4.999 brasileiros adultos entre 26 e 30 de junho, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%, e o estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-04582/2026.
O que ainda não se sabe é como essa percepção vai se traduzir politicamente. As reportagens não esclarecem se a alta da preocupação com segurança reflete aumento real da criminalidade ou maior exposição midiática do tema, nem que efeito o desfecho das investigações sobre o Banco Master e sobre o senador Jaques Wagner terá sobre os índices de corrupção percebida nos próximos meses.