O vice-presidente nacional do PDT e presidente do partido no Ceará, o deputado federal André Figueiredo, afirmou que a legenda renasceu no estado depois da saída do ex-governador Ciro Gomes, que trocou o PDT pelo PSDB. A declaração foi feita durante a convenção nacional do partido, realizada na segunda-feira, 20 de julho de 2026. Nas palavras do deputado, o PDT cearense voltou a ser o que era antes: um partido, segundo ele, autêntico e fiel às suas raízes.
Figueiredo lembrou que, quando Ciro Gomes deixou a sigla, houve quem previsse o fim do diretório cearense. O deputado rejeita o diagnóstico e sustenta que o partido segue vivo e organizado no estado, hoje sob sua presidência estadual. Ciro Gomes, que comandou o governo do Ceará e disputou a Presidência da República pelo PDT, aparece agora como pré-candidato ao governo do estado pelo PSDB. O movimento coloca antigos aliados em campos opostos na disputa estadual deste ano.
Em outro trecho da fala, o parlamentar afirmou que a luta política se constrói de forma coletiva, e não por uma pessoa que se acha dona de tudo. Questionado depois, negou que a frase fosse uma referência ao ex-governador. A negativa, porém, não apaga o contexto: a declaração foi dada na primeira convenção nacional do partido após a saída do quadro mais conhecido da legenda, num momento em que os diretórios estaduais definem estratégias para outubro.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o episódio, em formato de coluna de bastidores, relatando as declarações do deputado e registrando a negativa de que a crítica ao personalismo tivesse endereço certo. Não há, no material disponível, cobertura com enquadramentos concorrentes que permita contrastar como diferentes perfis editoriais leem a reorganização do PDT cearense. Isso significa que o leitor tem acesso a uma única versão do que foi dito e do clima interno da convenção, sem contraponto de quem foi indiretamente citado.
O que se pode afirmar com segurança é pequeno e bem delimitado. Um dirigente partidário declarou publicamente, num evento nacional do partido, que a legenda se fortaleceu depois da saída de sua principal liderança estadual. Essa é uma avaliação de parte interessada, não um balanço auditado. A própria matéria não apresenta números que sustentem ou desmintam a tese.
Vários pontos seguem em aberto. Não há na cobertura a resposta de Ciro Gomes, do seu entorno ou do PSDB às declarações. Também não se sabe quantos filiados, prefeitos, deputados estaduais e vereadores permaneceram no PDT do Ceará depois da migração, dado que seria o teste concreto da afirmação de renascimento. Não estão descritos os nomes que o partido deve lançar ou apoiar na disputa estadual, nem se caminhará ao lado ou em oposição ao grupo que hoje comanda o governo do Ceará. Falta ainda saber se a convenção nacional produziu alguma diretriz formal sobre alianças no estado. Enquanto essas lacunas não forem preenchidas, a afirmação de que a legenda voltou às raízes permanece como leitura de um dirigente, a ser testada na urna.