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Cerca de 60% da economia brasileira depende hoje de data centers instalados fora do território nacional, sobretudo nos Estados Unidos. O dado foi apresentado no encontro sobre crescimento econômico, produtividade e transformação digital promovido pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe, o CAF, no Museu Nacional de Energia e Tecnologia, na Cidade do México, em 23 de julho. O evento reuniu ministros, executivos e pesquisadores para discutir como a região pode deixar de ser apenas consumidora de tecnologia produzida em outros continentes.
Resumo da cobertura
O Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe, o CAF, reuniu ministros, executivos e pesquisadores na Cidade do México, em 23 de julho, para discutir produtividade e transformação digital na região. O encontro apontou a dependência de data centers estrangeiros como gargalo estrutural e as reservas de terras raras, água e energia limpa como oportunidade, com o Brasil citado como referência de governo digital.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o encontro, e o relato disponível descreve um diagnóstico compartilhado pelos participantes. A infraestrutura aparece como o principal gargalo da América Latina, enquanto reservas de terras raras, recursos hídricos e energia limpa são tratadas como a maior oportunidade de desenvolvimento da região na economia movida a dados e a inteligência artificial.
O gerente de Transformação Tecnológica do CAF, Pablo Bello, classificou a dependência de servidores estrangeiros como uma vulnerabilidade muito severa e defendeu que empresas, governos e universidades ampliem a capacidade computacional instalada no Brasil. A vice-presidente de Cooperação, Alianças e Mobilização do banco, Alicia Montalvo, afirmou que a transformação digital virou um dos principais campos de batalha da nova ordem econômica e que a região precisa de estratégia própria, em vez de adotar passivamente tecnologia criada fora.
Segundo o relato, os especialistas apontaram um risco concreto: empresas globais usarem a água e a energia limpa latino-americanas para alimentar megaestruturas de processamento de dados, exportar o valor intelectual gerado e deixar no continente apenas o impacto ambiental. O consumo intensivo de água pelos data centers e a mineração de terras raras, entre elas o lítio, foram citados como exemplos dessa ambiguidade entre risco e oportunidade.
As autoridades presentes cobraram marcos regulatórios e investimento para que a tecnologia se traduza em impacto econômico e em melhora de vida da população. O ministro da Economia e Finanças do Paraguai, Oscar Lovera, disse que o país não consome toda a energia limpa gerada por Itaipu e que esse excedente deveria ser direcionado ao desenvolvimento. Ministros de El Salvador e da Costa Rica participaram do mesmo painel. Um executivo do setor de semicondutores lembrou que a região está no mesmo continente do maior consumidor de serviços digitais do mundo e defendeu investimento em infraestrutura, talentos e regulação.
O Brasil foi citado como referência regional em governo digital. O Pix, a plataforma Gov.br e o trabalho do Ministério da Gestão e Inovação foram apresentados como exemplos de inclusão financeira e interoperabilidade que colocam o país na vanguarda e que poderiam ser exportados como solução tecnológica para o Sul Global.
Por se tratar de cobertura de fonte única, o material disponível traz apenas as vozes reunidas pelo próprio organizador do evento, sem contraditório. Não há resposta das empresas de tecnologia apontadas como risco, nem manifestação do governo brasileiro sobre o diagnóstico. Também não foram divulgadas a fonte e a metodologia do número de 60%, nem valores, prazos ou compromissos formais de investimento em capacidade computacional na região. Quais marcos regulatórios seriam adotados, por quais países e em que prazo, segue em aberto.
Briefing
O que importa para você
Cerca de 60% da economia brasileira depende de data centers fora do país, o que sujeita serviços digitais a decisões e regras dos Estados Unidos.
Data centers consomem água e energia em escala, e a conta ambiental recai sobre os territórios que os hospedam.
Terras raras e lítio da região são insumo da economia digital e podem virar receita ou passivo, a depender da regulação adotada.
Pix e Gov.br foram apontados como modelo brasileiro exportável de governo digital para a América Latina.
O que ainda está incerto
Não foram informadas a fonte nem a metodologia do dado de que 60% da economia brasileira depende de data centers estrangeiros.
O encontro não anunciou valores, prazos ou compromisso formal do CAF com projetos de capacidade computacional na região.
Não há no material a posição do governo brasileiro nem resposta das empresas de tecnologia citadas como risco.
Linha do Tempo
23 de jul. de 2026, 00:00
CAF reúne ministros, executivos e especialistas na Cidade do México em evento sobre produtividade e transformação digital na América Latina