O pré-candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, anunciou nesta quarta-feira, 1º de julho de 2026, em Brasília, o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, como seu candidato a vice-presidente. O anúncio foi feito na sede nacional da legenda, diante de parlamentares e dirigentes, e consolida uma chapa formada exclusivamente por integrantes do PSD, batizada de 'puro sangue'. Com a definição, Caiado se torna o segundo pré-candidato a fechar a chapa, depois de Lula, que já confirmou Geraldo Alckmin como vice.
Kassab, de 65 anos, é engenheiro civil e economista formado pela USP, fundador e presidente do PSD desde 2011. Foi vereador, deputado, prefeito de São Paulo entre 2006 e 2012 e ministro nos governos de Dilma Rousseff e Michel Temer. Mais recentemente, foi secretário de Governo de Tarcísio de Freitas em São Paulo, cargo que deixou em março. Sua última candidatura havia sido em 2014, ao Senado. A oficialização da chapa depende da convenção nacional do PSD, marcada para o fim de julho, e do registro na Justiça Eleitoral, com prazo até 15 de agosto.
A cobertura de centro relatou os fatos de forma direta: o PSD optou por uma chapa própria após não conseguir fechar aliança com a federação União Brasil-PP nem com o MDB, que deve ficar neutro. Veículos de centro, como O Globo e o Estadão Conteúdo, destacaram que Kassab manterá apoio a Tarcísio de Freitas na disputa estadual de São Paulo, mesmo com o governador apoiando Flávio Bolsonaro ao Planalto, e sugeriram a dobradinha 'Caiado presidente, Tarcísio governador'. Essa cobertura também ancorou a notícia em pesquisas: o levantamento AtlasIntel/Bloomberg mostra Lula com 46,3%, Flávio Bolsonaro com 36,6% e Caiado em quarto lugar, com 2,9%.
Veículos de direita enfatizaram o discurso de 'terceira via' e a força política da dupla. Reproduziram sem contraponto as falas de Kassab de que 'a República está podre' e de que 'os Poderes estão contaminados', além da defesa de uma ampla reforma administrativa, corte de privilégios e redução da carga tributária. Uma coluna do Correio da Manhã tratou o anúncio como marco histórico e comparou o momento à candidatura de Bolsonaro em 2018, apostando na viabilidade de uma alternativa de centro-direita capaz de forçar segundo turno.
Os enquadramentos divergem sobretudo na leitura do alcance da candidatura. Enquanto a cobertura de direita realça a gestão bem avaliada de Caiado em Goiás, a capilaridade do PSD (o partido que mais elegeu prefeitos em 2024) e a capacidade de articulação de Kassab, uma leitura mais à esquerda destacaria que a agenda de reforma administrativa e de corte tributário tende a pressionar serviços públicos e servidores, e que as pesquisas confirmam a ampla liderança de Lula e a posição ainda marginal de Caiado. A reportagem da Band trouxe um ângulo pouco explorado: uma ala do PSD resistiu à escolha e defendia Michelle Bolsonaro como vice, avaliando que ela agregaria votos entre conservadores e evangélicos.
O que ainda não se sabe é se a chapa conseguirá transformar o apoio formal do PSD em apoio efetivo nos estados, já que a maioria dos governadores da sigla se ausentou do anúncio e mantém alianças regionais com adversários de Caiado. Também permanece em aberto se o partido atrairá novas legendas antes das convenções e como a resistência interna em favor de Michelle Bolsonaro evoluirá nos bastidores.