Duas novas pesquisas divulgadas no início de julho de 2026 colocaram a avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no centro do debate eleitoral, a cerca de três meses do primeiro turno. Os levantamentos, um de alcance nacional e outro restrito ao Rio de Janeiro, apontam para um governo com avaliação negativa predominante, mas com margens que variam conforme o recorte geográfico.
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, de abrangência nacional, ouviu 4.999 eleitores entre 26 e 30 de junho e indicou que 52,3% dos entrevistados desaprovam a atuação de Lula, enquanto 45,9% a aprovam. Na avaliação da gestão, 48,3% consideram o governo ruim ou péssimo, 39,7% o classificam como ótimo ou bom, e 12% o avaliam como regular. A margem de erro é de um ponto percentual e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-04582/2026.
Já o levantamento do Paraná Pesquisas, restrito ao estado do Rio de Janeiro, entrevistou 1.600 eleitores em 60 municípios entre 29 de junho e 1º de julho e apontou empate técnico: 47,9% aprovam o governo e 49,3% o desaprovam, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais. Nesse recorte, 33,8% consideram a administração boa ou ótima, 41,7% a veem como ruim ou péssima e 22,9% como regular. A pesquisa tem registro no TSE sob o código BR-05371/2026.
A cobertura de centro relatou os números das duas sondagens com paridade, destacando metodologia, amostra e registros oficiais, além de registrar que o pré-candidato Flávio Bolsonaro questionou judicialmente a legitimidade da pesquisa AtlasIntel, cuja análise permanece suspensa no TSE aguardando decisão da Corte.
Veículos de esquerda destacaram o resultado no Rio de Janeiro como sinal de resiliência da base do presidente, enfatizando o empate técnico como prova de disputa aberta e lembrando que a pesquisa nacional mais negativa teve sua metodologia contestada pelo campo bolsonarista. Nesse enquadramento, o cenário eleitoral de 2026 é lido sob a ótica do avanço da extrema-direita e da pressão de forças conservadoras no Congresso.
Veículos de direita, por sua vez, tenderiam a ler os mesmos dados como confirmação do desgaste do Executivo federal: a desaprovação nacional acima de 50%, a maioria classificando a gestão como ruim ou péssima e, mesmo no Rio, a desaprovação superando a aprovação. Para essa leitura, o quadro sugere avaliação negativa consolidada às vésperas do pleito.
O que ainda não se sabe é como esses índices de aprovação se converterão em intenção de voto no primeiro turno, se a contestação judicial da pesquisa AtlasIntel terá desfecho no TSE antes do período eleitoral e como o quadro nacional se comporta em outros estados-chave. As sondagens medem avaliação de governo, não necessariamente o comportamento do eleitor na urna.