O pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado, do PSD, confirmou nesta quarta-feira, 1º de julho de 2026, em Brasília, o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, como candidato a vice em sua chapa. O anúncio foi feito durante o lançamento das pré-candidaturas, dias antes do início das convenções partidárias, marcado para 20 de julho. Com a definição, o PSD passa a apresentar uma chapa chamada de 'puro-sangue', formada exclusivamente por dois nomes da própria sigla.
A cobertura de centro relatou os fatos de forma direta. Kassab, que preside o PSD e já foi prefeito de São Paulo, ministro das Cidades no governo Dilma Rousseff e secretário na gestão de Tarcísio de Freitas em São Paulo, seguirá no comando do partido mesmo integrando a chapa. Antes da escolha, nomes como os governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Júnior, do Paraná, chegaram a ser ventilados como possíveis vices. Segundo pesquisa AtlasIntel divulgada no mesmo dia, Caiado aparecia com 2,9% das intenções de voto. Durante a cerimônia, Kassab afirmou que a República estaria 'podre' e que os Poderes estariam contaminados, enquanto Caiado declarou que a entrada do aliado tornava a candidatura um 'caminho sem volta'.
Onde a cobertura diverge está no significado da chapa. Veículos de direita e de centro-direita enfatizaram que a composição dá identidade partidária própria ao projeto, aposta na forte capilaridade do PSD em prefeituras e câmaras municipais e posiciona Caiado como alternativa organizada no campo de centro-direita para a disputa presidencial. Já veículos de esquerda destacaram outro ângulo: para essa cobertura, a chapa 'puro-sangue' escancara um racha no partido e revela a dificuldade de Caiado em atrair aliados de peso, num projeto de oposição que patina em torno de 3% nas pesquisas. Essa leitura ressaltou que, enquanto a cúpula nacional ensaia uma guinada à direita, as bases regionais reagem com pragmatismo e mantêm lealdade ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como na Bahia, com o senador Otto Alencar, e em Pernambuco, onde a governadora Raquel Lyra é cortejada pelo Planalto. A cobertura de esquerda também resgatou que, em 2015, o próprio Caiado havia chamado Kassab de 'cafetão do Palácio do Planalto', tratando a reconciliação como retrato do fisiologismo.
Um ponto factual que atravessa as coberturas é o descompasso entre a chapa nacional e as alianças estaduais. Em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, o apoio do PSD tende a ir para Tarcísio de Freitas, alinhado a Flávio Bolsonaro. Na Bahia, o partido está coligado ao PT na reeleição de Jerônimo Rodrigues. Em Minas Gerais, o governador Mateus Simões se aproxima de Romeu Zema, adversário de Caiado. E no Rio de Janeiro, Eduardo Paes já se comprometeu com Lula. Kassab afirmou que a cédula do PSD refletirá a candidatura de Caiado à Presidência, mesmo com as alianças locais prevalecendo em vários estados.
O que ainda não se sabe é como o PSD vai equilibrar, na prática, o apoio à chapa presidencial própria com os palanques estaduais adversários, nem qual será o desempenho de Caiado após a oficialização nas convenções de julho. Também permanece em aberto o tamanho real do impacto eleitoral da baixa intenção de voto registrada no início da pré-campanha.