A disputa do Partido Liberal pela vaga ao Senado pelo Distrito Federal virou uma novela de bastidores às vésperas das eleições de 2026. No centro está a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, pré-candidata ao Senado pelo DF, cuja permanência na disputa passou a ser questionada após uma série de atritos com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência. A cobertura de centro relatou que, no último fim de semana, Michelle chegou a avisar aliados de que abandonaria a candidatura e se afastaria da política, mas terminou concordando em adiar a decisão até o período das convenções partidárias.
Os três relatos convergem em alguns pontos. Michelle deixou a presidência do PL Mulher na terça-feira, em meio a queixas de ataques vindos do próprio campo bolsonarista. O estopim do desgaste envolve divergências públicas com Flávio, agravadas após um vídeo em que a ex-primeira-dama afirmou ter sido maltratada pelo enteado. O prazo legal também é consensual: o registro das candidaturas vai até 15 de agosto, com as convenções marcadas para até 5 de agosto, quando os nomes serão oficializados.
As ênfases da cobertura, porém, se dividem. Veículos de direita destacaram a versão oficial do partido: a presidente do PL no Distrito Federal, deputada Bia Kicis, afirmou que a legenda não discute substituto e que mantém a expectativa firme de concorrer ao Senado em dobradinha com Michelle, sem cogitar outro nome. Nessa leitura, os rumores de desistência são ruído de bastidor a ser superado, e a força da ex-primeira-dama junto ao eleitorado, sobretudo feminino, é tratada como ativo estratégico a ser preservado rumo a 2026.
A cobertura de centro, por sua vez, aprofundou os bastidores do conflito. Colunas relataram que aliados de Flávio interpretam a ameaça de saída como blefe, mas admitem, reservadamente, que ainda precisam de Michelle para conquistar o voto feminino, e por isso articulam uma trégua. Chegou a ser aventada a hipótese de dar a vice de Flávio a ela, ideia rapidamente desmentida por integrantes do PL que lembram o rompimento entre os dois. Nomes como o do senador Izalci Lucas surgem como reserva caso a ex-primeira-dama desista, e o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, teria ido a Brasília deixar claro que, sem o apoio dela, o grupo pode perder a eleição.
Embora nenhum artigo do conjunto traga cobertura declaradamente de esquerda, a leitura crítica que emerge do material aponta para as fraturas internas do bolsonarismo e para o modo como a ex-primeira-dama é retratada mais como um instrumento eleitoral do que como protagonista de sua própria candidatura.
O que ainda não se sabe é o essencial: se Michelle será de fato candidata. Nem a ex-primeira-dama nem o comando nacional do PL se manifestaram oficialmente de forma conclusiva, e a definição, segundo o próprio partido, só deve ocorrer no período das convenções. As pessoas mais próximas de Michelle defendem que ela se recolha e reduza a exposição política até lá, para evitar novos desgastes.