O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, afirmou neste domingo, 16 de agosto, que a eleição em Goiás é "raiz", e não "sabor eleição". A frase foi dita a jornalistas no município de Novo Gama, no entorno do Distrito Federal, ao encerrar a primeira parada de uma carreata de lançamento de campanha. "Eleição em Goiás é chapa quente. Aqui não é aquela eleição morna, não", declarou o ex-governador, antes de entrar no carro para seguir viagem.
O roteiro do dia previa a passagem por seis municípios periféricos do Estado, na região do entorno de Brasília. Depois de Novo Gama, o candidato seguiria para Valparaíso de Goiás e Cidade Ocidental, com encerramento em Luziânia, na chácara do prefeito Diego Sorgatto, do União Brasil, onde uma nova entrevista coletiva estava marcada. O mesmo domingo concentrou atos de outros dois nomes da disputa presidencial: Flávio Bolsonaro, do PL, lançou a campanha em um ato na Praia de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, mobilizou apoiadores em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, município tratado como seu berço político.
Esses são os pontos em que toda a cobertura converge: a fala, o local, o trajeto da carreata e a coincidência das agendas dos três candidatos no mesmo dia. A cobertura de centro tratou o episódio como registro factual de campanha, reproduziu a citação na íntegra e detalhou o roteiro; um dos textos chegou a publicar correção sobre o nome do município, que é Novo Gama e não Nova Gama. Veículos de direita deram o mesmo fato com ênfase na intensidade da campanha descrita pelo próprio candidato e o encadearam a promessas recentes de Ronaldo Caiado, como o uso das Forças Armadas no combate a facções e a escolha do comando da Segurança Pública em um eventual governo. Veículos de esquerda não haviam publicado sobre o episódio no material reunido até aqui, o que deixa sem contraponto tanto a leitura da força eleitoral do candidato em seu Estado quanto a comparação com o ato realizado em São Bernardo do Campo.
O que ainda não se sabe é o tamanho concreto do que foi mostrado no domingo. Nenhum dos textos informa o público estimado nas carreatas, e nenhum traz pesquisa de intenção de voto que sustente ou contradiga a avaliação de que a disputa em Goiás está "chapa quente". Também não há registro do conteúdo da entrevista coletiva prometida em Luziânia, nem detalhamento das propostas apresentadas ao longo do trajeto.