Ronaldo Caiado descarta mexer em direito adquirido da Previdência
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O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, afirmou em sabatina no dia 26 de agosto que mexer na Previdência Social não altera o equilíbrio fiscal e que não pretende tocar em direito adquirido. Um dia antes, em evento da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base, havia dito que equilíbrio fiscal é um 'palavrão' para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e defendido contenção de gastos da União e juros menores. Questionado sobre onde cortaria despesas, o ex-governador de Goiás não indicou rubricas e disse que pedirá os dados após a eleição.
Ronaldo Caiado colocou a disciplina fiscal no centro da candidatura ao afirmar que equilíbrio fiscal virou 'palavrão' no governo de Luiz Inácio Lula da Silva e que a dívida pública, em 78,7% do PIB, cresce sem que os superávits primários previstos consigam estabilizá-la.
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As duas frentes de cobertura registram os mesmos dois fatos: Ronaldo Caiado colocou o ajuste fiscal no centro da campanha e responsabilizou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva pela resistência ao tema; e o candidato não indicou onde cortaria despesas, remetendo os dados para depois de eleito.
O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, disse em sabatina que a Previdência Social não é a chave do equilíbrio fiscal e que não mexerá em direito adquirido. Ele voltou a cobrar contenção de gastos da União e queda dos juros, mas não apontou quais despesas cortaria caso seja eleito em outubro.
O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, afirmou em sabatina realizada em 26 de agosto que mexer na Previdência Social não altera o equilíbrio fiscal do país e que não pretende tocar no que chamou de direito adquirido. "Em direito adquirido você não toca", disse o ex-governador de Goiás ao ser questionado sobre uma eventual reforma previdenciária. Ele afirmou rejeitar "penalizar o mais pobre que recebe salário mínimo" e defendeu o aumento do Produto Interno Bruto como caminho preferível a "punir o aposentado". Segundo o candidato, o tema só seria enfrentado depois de o governo "limpar a casa", com revisão do que descreveu como excessos, desmandos, corrupção e desvios.
A declaração veio um dia depois de Caiado subir o tom contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em evento da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base, em 25 de agosto. Ali, disse que equilíbrio fiscal é um "palavrão" para o chefe do Planalto, apontou endividamento crescente da população e defendeu contenção de gastos da União e redução da taxa de juros, que na avaliação dele afasta investimento externo. As duas falas, somadas, desenham o desenho fiscal que o candidato leva à eleição: ajuste pelo lado da despesa, sem reforma da Previdência.
A cobertura de centro relatou o episódio ancorada em dado orçamentário, registrando que a dívida pública brasileira terminou o último ano em 78,7% do PIB e seguirá subindo, porque os superávits primários previstos não bastam diante do custo de rolagem sob juro alto. Essa apuração também recuperou entrevista anterior de Roberto Brant, coordenador do programa de governo do candidato, segundo quem o plano é estabilizar a dívida em dois a três anos, barrar a criação de novas despesas, estudar "com lupa" as isenções tributárias e recusar garantias a operações de crédito, além de rejeitar arcabouço fiscal cumprido apenas formalmente.
Veículos de direita concentraram a cobertura na sabatina e destacaram a defesa do direito adquirido como respeito a contrato, ao lado de outras promessas do candidato: proibir a "aprovação automática" nas instituições de ensino e a crítica de que as faculdades brasileiras "não têm um quadro de docentes capazes de aplicar as matérias necessárias". Essa cobertura também registrou o trecho em que Caiado classificou como "lesa-pátria" quem se coloca contra o próprio país, em referência à família Bolsonaro, e afirmou não admitir ingerência estrangeira no Brasil.
Não houve, até o momento, cobertura de veículos de esquerda sobre estas declarações. O ângulo que esse campo costuma organizar em debates previdenciários aparece, ainda assim, dentro do próprio material disponível: preservar direito adquirido protege quem já se aposentou, mas nada foi dito sobre as regras de quem ainda vai se aposentar, e a promessa de conter gastos da União chega sem lista de rubricas.
Os dois lados que cobriram o caso convergem em dois pontos verificáveis. O primeiro é que o candidato colocou o ajuste fiscal como eixo central da campanha e atribuiu ao atual governo a resistência ao tema. O segundo é a lacuna: Caiado não informou onde fará cortes de despesas, disse que pedirá os dados assim que vencer a eleição e sustentou que, em sabatina, cabe apresentar "parâmetros gerais", sem "descer a nível de minúcia". A divergência está na ênfase. A cobertura de centro puxou o debate para a aritmética da dívida e para o mecanismo que ligaria credibilidade fiscal a juro menor; a cobertura de direita destacou o compromisso com o aposentado, a agenda de mérito na educação e o tom patriótico do candidato.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há indicação de quais despesas seriam contidas, quais isenções tributárias seriam revistas nem como o candidato pretende estabilizar a dívida em dois a três anos mantendo intocada a maior rubrica obrigatória do Orçamento. Também não houve resposta do Planalto à acusação sobre o equilíbrio fiscal, nem manifestação da família Bolsonaro à declaração sobre conduta contrária ao país. A promessa de reduzir a taxa de juros, por sua vez, esbarra em competência que não é do Executivo, e nenhuma das coberturas explicitou como esse resultado seria alcançado.
Candidato do PSD ao Planalto também defendeu a contenção de gastos da União e a diminuição da taxa de juros

Durante entrevista, candidato do PSD também falou sobre propostas de educação e criticou a família Bolsonaro
