O candidato à Presidência Ronaldo Caiado, do PSD, afirmou em 4 de setembro de 2026 que não é um personagem criado para disputar uma eleição, em referência direta ao senador Flávio Bolsonaro, do PL, também candidato ao Palácio do Planalto. A frase foi dita em sabatina com jornalistas, na mesma entrevista em que o candidato apresentou propostas de mudança no Supremo Tribunal Federal e reafirmou ser contrário ao uso de câmeras corporais por policiais.
Segundo o relato disponível, Caiado disse ter muito a mostrar e nada a esconder no próprio currículo, afirmou ter orgulho do sobrenome e sustentou que construiu sua vida política sem depender de vínculo com terceiros. Perguntado sobre Augusto Cury, do Avante, que o ultrapassou nas pesquisas eleitorais divulgadas na semana e se consolidou em terceiro lugar, respondeu que o adversário tem o direito de apresentar a candidatura dele e que a sociedade vai analisar, até o dia 4 de outubro, quem deve enfrentar Lula no segundo turno.
A parte mais densa da entrevista tratou da crise entre ministros do Supremo Tribunal Federal, aberta depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de investigações da Polícia Federal. O documento liberado mostrou troca de mensagens entre Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. Caiado disse que há mais de três semanas vem pedindo que o tribunal quebre todos os sigilos, para que a sociedade conheça o que foi levantado sobre a vida de qualquer político que esteja se apresentando ao eleitor e para que não haja, nas palavras dele, um golpe à democracia brasileira. Se eleito, pretende propor uma reforma do Supremo com três eixos: escolha de ministros com mais de 60 anos, avaliação do currículo do indicado por autoridades ligadas à Justiça e imposição de quarentena antes e depois da passagem pela corte.
Sobre segurança pública, o candidato declarou ser contrário às câmeras corporais em policiais, sem detalhar os motivos da posição. Negou que isso represente tolerância a abusos, disse não admitir a comparação que o trata como conivente com excessos praticados por agentes e defendeu que a decisão sobre a adoção dos equipamentos caiba a cada governador, sem interferência federal.
No conjunto de fontes analisado, até o momento apenas um veículo cobriu a sabatina, e o texto é de perfil factual, típico da cobertura de centro: reproduz as falas do candidato entre aspas, descreve o contexto das perguntas e não adota enquadramento ideológico explícito, embora também não ouça o alvo da crítica nem contraponha as propostas a avaliações técnicas. Não há registro, neste corpus, de cobertura de veículos de esquerda nem de veículos de direita sobre o mesmo evento, de modo que as leituras partidárias do episódio, sobretudo em torno da reforma do Supremo Tribunal Federal e das câmeras corporais, ainda não aparecem lado a lado para comparação.
O que ainda não se sabe é como Flávio Bolsonaro responde à provocação, quais são exatamente os motivos que levam Caiado a rejeitar as câmeras corporais e por qual caminho institucional passaria a reforma do Supremo que ele propõe, já que mudanças em critérios de indicação e em regras de quarentena dependem de emenda constitucional. Também não foi detalhado o conteúdo dos sigilos que o candidato pede que sejam quebrados, nem os números e institutos das pesquisas eleitorais citadas na entrevista.