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A Câmara dos Deputados aprovou em 1º de julho de 2026, por 293 votos a 158 e três abstenções, o regime de urgência para o Projeto de Lei 896/23, que equipara a misoginia ao crime de racismo. Com a urgência, o texto pode ir direto ao plenário, sem passar pelas comissões. A proposta, já aprovada por unanimidade no Senado em março, define misoginia como a prática, indução ou incitação de violência, restrição de direitos ou ofensa à dignidade da mulher em razão de sua condição, e prevê penas de dois a cinco anos de prisão, com agravantes. As bancadas evangélica e católica e a oposição bolsonarista votaram contra, alegando risco à liberdade religiosa e de expressão. A relatora, Tabata Amaral (PSB-SP), negocia um texto de consenso; a votação do mérito é esperada antes do recesso, que começa em 17 de julho.
A Câmara dos Deputados aprovou, na quarta-feira 1º de julho de 2026, o regime de urgência para o Projeto de Lei 896/23, que equipara a misoginia ao crime de racismo. O placar foi de 293 votos a favor e 158 contra, com três abstenções. Com a urgência, o texto deixa de passar pelas comissões e pode ir direto à votação em plenário. O projeto já havia sido aprovado por unanimidade no Senado em março, mas gerou controvérsia ao chegar à Câmara.
A proposta define misoginia como a prática, a indução ou a incitação de violência, de restrição ao pleno exercício de direitos ou de ofensa à dignidade da mulher, em razão de sua condição. O texto altera a Lei do Racismo: caso aprovado, atos de misoginia passarão a ser punidos com penas de dois a cinco anos de prisão, além de multa. Há agravantes quando o crime é cometido por duas ou mais pessoas, contra criança, idoso ou pessoa com deficiência, e para crimes cometidos em redes sociais, quando o juiz poderá determinar a suspensão dos perfis usados. Crimes contra a mulher em contexto de violência doméstica terão pena dobrada.
Há convergência entre os veículos sobre os fatos centrais. A cobertura de centro, como a da Folha de S.Paulo, do G1 e da própria Agência Câmara, relatou o placar, a definição legal do crime e o detalhamento das penas, além de registrar que a relatora, deputada Tabata Amaral, do PSB de São Paulo, negocia um texto de consenso, e que a votação do mérito é esperada antes do recesso parlamentar, que começa em 17 de julho. O presidente da Câmara, Hugo Motta, do Republicanos da Paraíba, afirmou que a Casa reafirmou o compromisso no combate à misoginia e prometeu cautela ao pautar o mérito.
É na leitura do episódio que as coberturas divergem. Veículos de esquerda, como a CartaCapital, enfatizaram a aprovação como avanço no combate à violência de gênero e destacaram a mobilização de coletivos de mulheres pela celeridade da tramitação. Nesse enquadramento, ganha relevo a fala de Tabata Amaral sobre uma indústria do ódio que opera nas redes e ensina jovens a enxergar a mulher como inimiga, e a denúncia de que parte da oposição chegou a defender o discurso de que a mulher deve ser submissa ao marido.
Já veículos de direita, como o InfoMoney, enfatizaram as objeções da oposição e das bancadas religiosas. Deram destaque à crítica do deputado Kim Kataguiri, do União de São Paulo, de que a Casa estaria dando carta branca ao aprovar a urgência de um texto que ainda não existe, e às ressalvas de que o termo ofensa seria vago e poderia restringir a liberdade de expressão e de culto. O presidente da bancada evangélica, Gilberto Nascimento, do Podemos de São Paulo, afirmou ter dificuldade de apoiar a proposta neste momento. As bancadas evangélica e católica cobram garantias explícitas à liberdade religiosa no texto.
O que ainda não se sabe é qual será a redação final. A relatora ainda não apresentou a nova versão, não há data marcada para a votação do mérito e as negociações com as bancadas de direita não avançaram, com parlamentares do PL classificando como pequenas as chances de apoio. O texto, portanto, ainda deve mudar antes de ser efetivamente votado no plenário.
Todos os lados reconhecem que a Câmara aprovou a urgência do PL 896/23 por 293 a 158, que o projeto equipara a misoginia ao crime de racismo com penas de dois a cinco anos, e que a relatora Tabata Amaral ainda precisa negociar um texto de consenso antes da votação do mérito.
Como cada lado cobriu
Veículos com viés à esquerda
Publisher progressista. O texto trata a aprovação da urgência como avanço no 'combate à misoginia e à violência contra as mulheres', reproduzindo a fala de Motta pró-proteção e enquadrando a resistência evangélica/católica como demanda por exceções religiosas, sem dar voz individual aos opositores. Enfoque em direitos das mulheres caracteriza perfil LEFT.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Texto da Folhapress relata o placar (293 a 158), define o crime, detalha as penas e dá espaço tanto à relatora Tabata Amaral quanto à resistência da bancada cristã e do PL. Vocabulário factual, múltiplos lados citados com paridade. O título usa 'bancada cristã', que descreve o grupo sem editorializar.
Veículos com viés à direita
Publisher de perfil econômico-liberal. O texto enfatiza as objeções da oposição (liberdade religiosa, liberdade de expressão, vaguidade do termo 'ofensa', crítica de Kim Kataguiri ao 'texto que não existe') e o argumento de que a urgência é 'carta branca'. Ainda assim reproduz a fala forte de Tabata Amaral, o que atenua o enquadramento. Perfil RIGHT moderado.
Perspectivas omitidas


Texto vai direto ao plenário, mas enfrenta resistência de bancadas evangélica e católica

Com a a urgência aprovada, o texto poderá ser votado diretamente no plenário, sem passar pelas comissões

Presidente da Câmara diz que a proposta poderá ser votada em Plenário após negociação dos partidos por um texto de consenso

Texto ainda passará por modificações antes da votação do mérito, que deve ser antes do recesso

Bancada evangélica diz que texto pode levar à perseguição religiosa e deputados citam bíblia para pregar a submissão da mulher ao marido. Proposta equipara misoginia a racismo.
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Texto da Agência Câmara, institucional e factual. Informa o número do projeto (PL 896/23), o placar (293 a 158), a inafiançabilidade/imprescritibilidade e lista os outros três projetos de urgência aprovados na mesma sessão. Sem vocabulário valorativo. Perfil CENTER típico de fonte oficial.
Perspectivas omitidas
Reportagem da Folha, assinada por Laura Scofield, praticamente idêntica em conteúdo à versão Folhapress: placar, definição do crime, detalhamento das penas, recesso e negociação com bancadas. Dá voz à relatora e cita a resistência bolsonarista e o líder do PL. Vocabulário factual, contraditório presente. Perfil CENTER.
Nota factual e enxuta do G1: informa a aprovação da urgência, o placar (293 a 158), a ausência de data para votação e a definição legal de misoginia. Sem enquadramento ideológico. Perfil CENTER.
Perspectivas omitidas



