O Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores aprovou, em reunião realizada em Brasília na sexta-feira, 3 de julho de 2026, a divisão da sua cota do Fundo Especial de Financiamento de Campanha para as eleições deste ano. Do total de cerca de R$ 615 milhões a que a legenda tem direito, aproximadamente R$ 127 milhões, o equivalente a 20,64%, foram reservados à campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A maior parcela dos recursos, 43,06%, ficou com as candidaturas à Câmara dos Deputados, que concentram o maior número de concorrentes.
A cobertura de centro relatou com precisão os números da partilha: além da presidência e da Câmara, o partido destinou cerca de 11,7% aos governos estaduais, 10,08% ao Senado, 8,13% às Assembleias Legislativas e 6,4% a um fundo de reserva. O ponto mais destacado foi o reforço proporcional à disputa pelo Senado, que subiu de cerca de 2% em 2022 para pouco mais de 10% neste ano, movimento explicado pelo fato de dois terços das 81 cadeiras estarem em jogo. Os veículos de centro também lembraram que o PT tem a segunda maior cota do fundo, atrás apenas do PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro, que recebeu R$ 881,7 milhões, e que o Tribunal Superior Eleitoral distribuiu R$ 4,9 bilhões entre 30 partidos, mantendo os tetos de gasto de 2022 sem correção pela inflação.
Veículos de esquerda enfatizaram a leitura estratégica por trás da divisão. Para essa cobertura, a decisão de quadruplicar a verba ao Senado tem como objetivo fortalecer a bancada aliada e garantir governabilidade em um eventual quarto mandato de Lula, contendo o avanço da direita, que busca ampliar sua presença na Casa para avançar com pautas contra o Supremo Tribunal Federal. Essa cobertura destacou ainda que a resolução partidária traz um capítulo sobre soberania nacional, no qual o PT acusa Flávio e Eduardo Bolsonaro de agir contra os interesses do Brasil durante a crise das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Publicações do mesmo campo também deram relevo a uma carta de católicos do PT em apoio à reeleição, associando o voto a programas sociais como Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida.
Veículos de direita e de perfil mais crítico ao governo enfatizaram outro ângulo: o de que a campanha presidencial será custeada com dinheiro público. Essa cobertura ressaltou o tamanho da máquina eleitoral bancada pelo Estado, o volume total de R$ 4,9 bilhões pagos pelo contribuinte e a manutenção dos tetos de gasto pelo TSE, que permitem até R$ 88,9 milhões por candidato à Presidência no primeiro turno. Também ganharam destaque os ruídos internos na partilha da verba, com parlamentares temendo que os diretórios estaduais favorecessem nomes ligados às cúpulas regionais.
Há convergência entre os lados sobre os fatos centrais: o valor de cerca de R$ 127 milhões para Lula, a prioridade dada à Câmara, o reforço ao Senado e o fato de o PT ter a segunda maior cota do fundo. As diferenças aparecem no enquadramento, com a esquerda lendo a estratégia como defesa da governabilidade e da soberania, e a direita frisando o custo para o contribuinte e a disputa interna pela verba. Em paralelo, Lula começou a reorganizar a equipe de comunicação do Palácio do Planalto, com a saída do fotógrafo Ricardo Stuckert, que o acompanha há mais de duas décadas, e de outros auxiliares da Secretaria de Comunicação Social para integrar a campanha, movimento associado ao início do defeso eleitoral. Ainda não se sabe como os percentuais poderão mudar ao longo da campanha para cumprir as cotas mínimas de candidaturas femininas, negras e indígenas, nem como cada diretório estadual repartirá, na prática, os recursos destinados aos candidatos a deputado.