Campanha de Lula aposta em casos Ana Clara e 'nove dedos' para sensibilizar eleitor
Relato de fonte única, atribuído a Folha de S.Paulo. Esta cobertura não compara posições do espectro político.

Resumo da cobertura
Depois do debate presidencial televisivo da sexta-feira, 23 de outubro, a campanha de Lula (PT) concentra esforços em dois episódios para desgastar Flávio Bolsonaro (PL) e tentar conquistar indecisos no segundo turno.
Mais sobre Flávio Bolsonaro
- Lula e Flávio Bolsonaro fazem o último debate antes do segundo turno na TV GloboEsquerda 4%Centro 80%Direita 16%25 fontes
- Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentam em debate com Master e 6x1 em pautaEsquerda 50%Centro 50%2 fontes
- Colunistas avaliam entrevistas de Lula e Flávio Bolsonaro com notas 3,8 e 2,9Esquerda 40%Centro 50%Direita 10%10 fontes
Briefing
O que importa para você
- Os dois episódios do debate, o caso Ana Clara e a fala dos nove dedos, são o centro da estratégia final da campanha de Lula.
- O alvo declarado são os eleitores indecisos, na reta final antes da votação do segundo turno.
O que ainda está incerto
- Qual é a resposta da campanha de Flávio Bolsonaro aos dois episódios.
- Se há pesquisa que mostre efeito dos episódios sobre a intenção de voto.
A campanha de Lula, do PT, concentra as últimas apostas do segundo turno em dois momentos do debate de 23 de outubro: o caso Ana Clara e a fala dos nove dedos. A meta é desgastar Flávio Bolsonaro, do PL, e atrair indecisos.
Na véspera do segundo turno da eleição presidencial de 2026, a campanha de Lula, do PT, concentra suas apostas finais em dois episódios do debate televisivo realizado na sexta-feira, 23 de outubro. O objetivo é desgastar o adversário, Flávio Bolsonaro, do PL, e converter a avaliação do debate em votos de eleitores indecisos. Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, relatando a avaliação interna da campanha petista, e por isso o relato abaixo reflete sobretudo essa fonte.
O primeiro episódio é o caso Ana Clara. Durante o debate, Lula mencionou o assassinato da menina de 5 anos, cujo acusado foi defendido pelo escritório do senador Flávio Bolsonaro. Segundo o relato, Flávio advogou para o policial militar que teria atirado na criança. A mãe de Ana Clara estava na plateia. O candidato do PL confundiu o nome da mãe ao se referir a ela e insistiu em defender o policial.
O segundo episódio é o dos chamados nove dedos. Ao criticar o alcance do salário mínimo, hoje de R$ 1.621, Flávio disse que não adiantava nada, se você dá com uma mão e tira com os nove dedos. A frase foi entendida como referência ofensiva ao fato de Lula ter perdido um dedo em um acidente de trabalho. Lula respondeu que, se há alguém que sabe o que é o mundo do trabalho, é ele, que perdeu o dedo aos 17 anos, e que não permitiria que um miliciano o chamasse de nove dedos.
A avaliação interna da campanha de Lula é que os dois assuntos pegaram muito mal para o bolsonarista e podem levar o eleitor a dar um voto de confiança ao petista. A equipe do presidente trata os dois embates como o ponto alto do debate e como a principal chance de enfraquecer Flávio na reta final, mostrando que ele não teria condições de presidir o país. Petistas avaliam que os episódios abalaram a imagem do senador.
Como a cobertura disponível vem de um único veículo, não há como comparar enquadramentos de veículos de esquerda e de direita sobre o tema. O texto também não traz a versão da campanha de Flávio Bolsonaro sobre os episódios, nem explica a atuação do escritório do senador no caso além do que foi dito no debate.
O que ainda não se sabe é se os dois episódios terão efeito real sobre o voto. A avaliação de que podem render votos de indecisos é uma expectativa da campanha petista, sem pesquisa citada que a confirme. Também não há informação sobre como a campanha de Flávio pretende responder, nem sobre o peso desses temas diante de outros assuntos que marcaram o segundo turno, como a economia, os planos de governo e as agendas de rua dos dois candidatos na véspera da votação.
Fontes
Petistas avaliam que os dois momentos no debate abalaram imagem de Flávio e podem virar votos de indecisos
