Sophia Barclay, do PL, aparece como beneficiária do Bolsa Família que critica
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Sophia Barclay, candidata a deputada federal por São Paulo pelo Partido Liberal (PL) e conhecida nas redes como “Trans de Direita”, aparece no Portal da Transparência como beneficiária de programas federais de transferência de renda que critica publicamente. Os registros começam em maio de 2018, quando ela tinha 18 anos, e incluem Bolsa Família, Auxílio Emergencial, Auxílio Brasil, Novo Bolsa Família e o vale do Gás do Povo. Ela confirma ter recebido assistência em período de vulnerabilidade, mas nega recebimento contínuo e afirma que seu nome permaneceu vinculado ao Cadastro Único de um familiar.
Na leitura de direita, o episódio é menos sobre hipocrisia e mais sobre a falha do Estado e o uso político da imprensa. A candidata nunca defendeu o fim da assistência: criticou quem tem condições de trabalhar e permanece no benefício, e criticou um governo que, no quinto mandato do PT, ainda mantém milhões dependentes de auxílio para comprar gás.
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2 fontes políticas
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Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
As duas coberturas partem do mesmo registro público do Portal da Transparência e concordam em três pontos: Sophia Barclay recebeu benefícios federais de transferência de renda a partir de 2018, criticou publicamente esses programas e seus beneficiários nas redes sociais, e alega ter recorrido à assistência num período real de vulnerabilidade após ser expulsa de casa ainda adolescente.
Registros públicos mostram que a candidata a deputada federal Sophia Barclay, do PL, recebeu benefícios de programas federais de transferência de renda desde 2018, os mesmos que ela ataca nas redes sociais. Ela alega vulnerabilidade no passado e diz que seu nome ficou vinculado ao Cadastro Único de um familiar. Compare como cada lado do espectro contou a história.
A candidata a deputada federal por São Paulo Sophia Barclay, do Partido Liberal (PL), conhecida nas redes sociais pelo apelido de “Trans de Direita”, aparece nos registros do Portal da Transparência como beneficiária do Bolsa Família e do programa Gás do Povo, as mesmas políticas que ela costuma criticar em seus perfis. Os pagamentos começam em maio de 2018, quando ela tinha 18 anos e morava no Rio de Janeiro, e os registros seguem ao longo dos últimos oito anos, vinculados ao Cadastro Único, o CadÚnico, sistema que o governo federal usa para reunir informações de famílias de baixa renda.
A cobertura de centro relatou que, com exceção de 2024, houve pagamentos em todos os anos do período, com R$ 6 mil recebidos em 2025 no Novo Bolsa Família, e que o cadastro no Gás do Povo tem vigência de 10 de julho a 9 de outubro deste ano, somando mais de R$ 23 mil no total. Veículos de direita apresentaram um recorte mais detalhado dos mesmos registros públicos, somando cinco programas, entre eles Bolsa Família, Auxílio Emergencial, Auxílio Brasil, Novo Bolsa Família e Gás do Povo, e chegando a R$ 27.024,23 desde 2018, com R$ 3.700,23 apenas em 2026. As duas contabilidades divergem porque recortam períodos e programas diferentes, e nenhuma delas confrontou os números com o ministério responsável pelos cadastros.
Há convergência sobre o teor das críticas. Em publicação no X de 11 de setembro de 2025, feita depois da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, a candidata chamou de “bando de porco” quem, segundo ela, se contenta em viver do Bolsa Família. Em 1º de outubro do mesmo ano, questionou o auxílio para compra de gás de cozinha e afirmou que o governo Lula quer “manter o povo na miséria”. Em julho deste ano, publicou um vídeo no Instagram sobre a política de distribuição de gás de cozinha.
Barclay respondeu em nota e em vídeo. Disse que foi expulsa de casa aos 16 anos, que recorreu à assistência social num período de vulnerabilidade extrema e que não tem vergonha desse passado. Afirmou também que a crítica se dirige a quem tem condições de trabalhar e usa o benefício de forma indevida, não ao programa em si. Em outra nota, a assessoria sustentou que o nome dela permaneceu vinculado ao CadÚnico de um familiar, o que explicaria os registros mais recentes, e que a situação está sendo apurada junto aos órgãos competentes. No vídeo, a candidata classificou as reportagens como “fake news da imprensa”.
O contraste de enquadramento aparece na ênfase. A cobertura de centro organizou o texto em torno da distância entre o discurso público e o registro oficial, detalhando as falas contra beneficiários dos programas. Veículos de direita deram mais espaço à versão da candidata, à alegação do cadastro familiar e à acusação de que a imprensa distorce fatos para atingir uma candidatura, além de registrar o embate dela com a deputada federal Erika Hilton, do PSOL. Até o momento não foi identificada cobertura de veículos de esquerda sobre o caso; o ângulo ausente é justamente o do efeito desse discurso sobre a percepção pública das famílias que dependem da transferência de renda.
Segue sem resposta se a permanência do nome no CadÚnico de um familiar de fato explica os pagamentos mais recentes, quem os recebeu na prática, se algum órgão federal abriu apuração formal e se há discussão sobre devolução de valores. Também não está esclarecido por que o cadastro no Gás do Povo segue vigente até outubro se, como a própria candidata afirma, ela não vive mais em situação de vulnerabilidade.
Conhecida nas redes sociais como “Trans de Direita”, Sophia Barclay passou a criticar programas de assistência do governo federal depois de se aproximar do campo político de direita

Sophia Barclay concorre a deputada federal por São Paulo; candidata se apresenta nas redes como “trans de direita” e “a maior voz Anti-Woke do Brasil”
