Renato Battista, um dos principais dirigentes nacionais do Missão, partido criado a partir do Movimento Brasil Livre, é candidato a deputado estadual em São Paulo e escolheu como linha de campanha reproduzir no estado o método adotado nacionalmente pelo candidato da legenda à Presidência da República, Renan Santos. A aposta é percorrer municípios paulistas e divulgar nas redes sociais problemas de gestão de cada cidade, ganhando conhecimento público enquanto apresenta propostas.
O roteiro já começou. O candidato esteve em Bauru, onde tratou de deficiências de saneamento básico e de denúncias de nepotismo contra a prefeita, e em Ubatuba, onde o tema foi uma acusação de fraude na compra de merenda escolar. O próximo destino previsto é o litoral sul do estado, e o plano declarado é visitar ao menos 40 cidades ao longo da campanha. O partido trata Battista como puxador de votos e trabalha para eleger uma bancada na Assembleia Legislativa. Em 2022, ele disputou pelo União Brasil e terminou na suplência.
O principal compromisso legislativo apresentado é uma versão estadual da Lei de Responsabilidade Gerencial, um dos carros-chefes da campanha presidencial do partido. Pela proposta, gestores que não cumprirem determinadas metas de desenvolvimento poderiam ser penalizados, inclusive com inelegibilidade, e ficariam impedidos de fazer gastos considerados supérfluos, como propaganda oficial e contratação de shows. A segunda bandeira é a segurança pública: o candidato esteve duas vezes em El Salvador, país que adotou uma política de linha dura contra o crime, e teve contatos com integrantes do governo de Nayib Bukele.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, em formato de nota de bastidor político, o que limita o quadro disponível. A cobertura de fonte única descreve a estratégia e as propostas a partir do próprio entorno da campanha, sem trazer avaliação independente nem resposta das prefeituras citadas. Por isso, não há confronto de enquadramentos entre lados diferentes nesta história: o que existe é o relato de um método de campanha e da agenda que ele carrega.
Ainda assim, é possível separar o que está descrito do que fica em aberto. Está descrito que a campanha combina presença física no interior e no litoral com amplificação digital, e que sua pauta central une controle de gasto público, punição a gestor por desempenho e endurecimento na segurança. Não está detalhado quais seriam as metas de desenvolvimento capazes de tornar um prefeito inelegível, nem como uma norma estadual poderia criar hipótese de inelegibilidade diante das regras eleitorais em vigor. Também não aparecem as manifestações dos gestores acusados em Bauru e Ubatuba, o estágio das apurações sobre essas denúncias, o calendário completo das visitas, nem que elementos da experiência salvadorenha o candidato pretende propor em São Paulo. Sem essas respostas, o alcance prático da agenda apresentada permanece indefinido.