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Uma empresa ligada ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) vendeu uma fazenda de R$ 18,7 milhões no Piauí para a Arraf International, offshore sediada na zona franca de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, em março de 2025. A offshore, criada dois meses antes da operação, foi representada na escritura por Gustavo Frazão, advogado que atua em mais de 20 processos para outra empresa do senador e é comissionado na prefeitura comandada pela mãe dele. A negociação ocorreu no mesmo período em que a Polícia Federal investiga repasses de ao menos R$ 6 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, ao parlamentar. O senador nega irregularidades e afirma que nem ele nem a família têm empresa fora do Brasil.
Uma empresa ligada ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro, vendeu uma fazenda de R$ 18,7 milhões no município de Pedro II, no Piauí, para uma offshore sediada nos Emirados Árabes Unidos. A operação, formalizada em março de 2025, voltou ao centro do noticiário porque coincide com uma investigação da Polícia Federal sobre repasses milionários ao parlamentar, e expõe uma teia de empresas, advogados e familiares em torno do patrimônio do senador.
A cobertura de centro relatou os fatos a partir da escritura e de documentos da apuração. A propriedade, de 2.410 hectares, foi comprada pela Arraf International, registrada na zona franca do aeroporto de Sharjah, uma das áreas mais opacas dos Emirados, onde a lei não exige a divulgação dos sócios. A empresa foi criada apenas dois meses antes do negócio e tem um único dono, cuja identidade não é pública. Quem assinou a escritura em nome da offshore foi o advogado Gustavo Frazão, que atua em mais de 20 processos para outra empresa do senador e é funcionário comissionado da prefeitura de Teresina, comandada por Eliane Nogueira Lima, mãe do parlamentar.
Os três lados convergem em um ponto central: a transação ocorreu no mesmo período em que a Polícia Federal apura repasses de ao menos R$ 6 milhões feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, a Ciro Nogueira entre 2024 e 2025. Segundo os investigadores, haveria pagamentos mensais que partiram de R$ 300 mil e teriam subido para R$ 500 mil, intermediados por Felipe Vorcaro, primo de Daniel, preso temporariamente. Em contrapartida, a PF suspeita que o senador teria defendido interesses do banco no Congresso, entre eles a chamada emenda Master, que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. O senador foi alvo de operação da PF em 7 de maio.
Veículos de esquerda enfatizaram o que descrevem como um padrão de blindagem patrimonial. Para essa cobertura, o uso de offshores opacas, tanto nos Emirados quanto nas Ilhas Virgens Britânicas, onde outra empresa do senador vendeu um apartamento por R$ 6,5 milhões, configura um método recorrente de ocultação de riqueza, e a figura de um advogado que serve ao mesmo tempo ao senador, às suas empresas e à prefeitura da mãe é vista como sinal de promiscuidade entre poder público e interesse privado. O contraste entre a fortuna em paraísos fiscais e a negativa do parlamentar de possuir empresas no exterior é destacado como ponto de maior fragilidade.
Uma leitura de direita, por sua vez, tende a sublinhar que se trata de investigação em andamento, e não de condenação, lembrando a presunção de inocência e o direito de defesa. O senador nega qualquer irregularidade, afirma que nem ele nem a família têm empresas fora do Brasil e atribui a propriedade da Fazendas Reunidas Nogueira Lima à sua mãe, ainda que dados da PF indiquem que ele detenha 99% do capital. Nessa chave, operações imobiliárias e estruturas societárias não são ilícitas por si só, e o peso de documentos divulgados durante uma apuração inconclusa sobre a reputação de um parlamentar também merece escrutínio.
O que ainda não se sabe é quem está, de fato, por trás da Arraf International e da Tedax Partners, as offshores envolvidas, já que as jurisdições não revelam seus beneficiários finais. Também permanece em aberto a conclusão da investigação da Polícia Federal sobre a relação entre Nogueira e Vorcaro e eventual contrapartida legislativa. O advogado Gustavo Frazão não foi localizado pela reportagem, e o desfecho do caso depende do avanço da apuração e de eventual manifestação da Justiça.
Esquerda e centro reconhecem os fatos documentais: a venda da fazenda de R$ 18,7 milhões a uma offshore opaca nos Emirados, em março de 2025, coincide com a investigação da PF sobre repasses de ao menos R$ 6 milhões do Banco Master ao senador.
Como cada lado cobriu
Veículos com viés à esquerda
Brasil 247 (perfil LEFT) reescreve a apuração da Folha de forma organizada, reforçando o enquadramento de 'padrão de negociações' com offshores e a aproximação com Vorcaro. Mantém o direito de resposta do senador, mas o tom e a seleção de ênfase (reforço do padrão suspeito) caracterizam framing à esquerda. Bias do artigo coerente com o publisher neste caso.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Texto da Folhapress reportado por Notícias ao Minuto: apura documentos de escritura, dados da PF e respostas do senador com paridade. Linguagem factual, sem vocabulário valorativo carregado; atribui suspeitas à PF e dá direito de resposta. Perfil CENTER apesar de publisher CENTER, coerente com o conteúdo.
Perspectivas omitidas
Ponto cego: esse lado ficou de fora.
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.


Documentos apontam que empresa ligada ao senador vendeu propriedade rural no Piauí a offshore dos Emirados Árabes representada por advogado próximo
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