A Frente Popular de Pernambuco oficializou no sábado, 1º de agosto de 2026, a candidatura do ex-prefeito do Recife João Campos, do PSB, ao governo do estado. A convenção ocorreu no Clube Internacional do Recife e homologou a chapa majoritária com Carlos Costa, do Republicanos, como candidato a vice-governador, e com o senador Humberto Costa, do PT, e a ex-deputada federal Marília Arraes, do PDT, disputando as duas vagas ao Senado. No mesmo ato foram lançados 45 candidatos a deputado estadual e 26 a deputado federal. O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, também do PSB, participou do evento e representou o presidente Lula.
Aos 32 anos, João Campos disputa o Executivo estadual pela primeira vez. Ele deixou a prefeitura do Recife neste ano, após ser reeleito em primeiro turno em 2024, e tenta suceder a governadora Raquel Lyra, do PSD, que busca a reeleição e é sua principal adversária. No discurso, o candidato citou o pai, o ex-governador Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo em 2014, e afirmou que pretende chegar aonde ele não conseguiu. Um dia depois, no domingo, o PSD oficializou a candidatura de Raquel Lyra à reeleição, com a vice-governadora Priscila Krause repetindo a chapa e o deputado federal Túlio Gadêlha como candidato ao Senado, ao lado de Eduardo da Fonte, do PP.
O fim de semana concentrou convenções em vários estados. No Paraná, o PL confirmou o senador Sergio Moro como candidato ao governo, em coligação com Podemos, Democracia Cristã e Novo, tendo Edson Vasconcelos como vice e Filipe Barros e Deltan Dallagnol como candidatos ao Senado. Em Sergipe, o PL oficializou Ricardo Marques no dia 3 de agosto. Em Alagoas, o MDB confirmou o senador e ex-ministro Renan Filho em 5 de agosto, ainda sem definir o vice.
A cobertura de centro, majoritária neste conjunto de reportagens, concentrou-se na reconstrução factual dos atos: composição das chapas, transcrição dos discursos, trajetória dos candidatos e bastidores da formação das alianças, incluindo o rompimento do União Brasil com o grupo do ex-prefeito e a disputa interna que definiu as vagas ao Senado. Esses textos também registraram, no caso paranaense, tanto a fala do candidato sobre ter comandado a maior operação anticorrupção do país quanto o reconhecimento posterior de sua suspeição pelo Supremo Tribunal Federal, que anulou os atos do processo contra o atual presidente.
Veículos de direita deram peso maior à moldura da disputa do que aos discursos: destacaram a linhagem familiar do candidato pernambucano, lembrando que o espaço da convenção já sediou atos comandados pelo pai dele e é associado à história do partido desde os tempos do bisavô, e anteciparam o calendário da convenção da governadora adversária. Não houve, neste conjunto de matérias, cobertura de veículos de esquerda; o enquadramento típico desse campo tende a valorizar a formação de uma frente ampla de partidos progressistas e as promessas de redução da desigualdade feitas no palanque, como a fala da candidata ao Senado de que governar é combater desigualdades e melhorar a vida das pessoas.
Ainda não se sabe quem será o vice na chapa alagoana, nem quais são as propostas concretas de governo apresentadas pelas candidaturas, já que as reportagens se detiveram nos discursos de mobilização. Também não há, no material disponível, pesquisas de intenção de voto que indiquem a força relativa das chapas em cada estado. O calendário legal fixa o encerramento das convenções em 5 de agosto, o registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral até 15 de agosto e o início oficial da campanha no dia seguinte. A votação para presidente, governador, Senado, Câmara e assembleias está marcada para 4 de outubro.