Duas pesquisas nacionais divulgadas na semana que antecedeu 25 de agosto de 2026 mantiveram a corrida presidencial no mesmo ponto em que ela está desde maio: empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) num eventual segundo turno. O Datafolha, divulgado na sexta-feira 21, registrou 47% para o presidente e 43% para o senador, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A BTG/Nexus, publicada na segunda-feira 17, apontou 47% a 44%, repetindo exatamente o placar da rodada anterior. No primeiro turno, os dois institutos colocam Lula numericamente à frente, com 39% a 33% no primeiro caso e 41% a 36% no segundo. Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) não passam de 5% em nenhum dos cenários nacionais testados.
O retrato nacional, porém, se desfaz quando as pesquisas descem aos estados. Na segunda-feira 24, a Quaest divulgou levantamentos de primeiro turno em seis unidades da Federação, com entrevistas presenciais feitas entre 20 e 23 de agosto, amostras de 804 a 900 eleitores e margem de erro de três pontos percentuais. Em Santa Catarina, Flávio Bolsonaro tem 45% contra 20% do presidente; no Paraná, 41% a 23%; no Rio Grande do Sul, 34% a 28%. A situação se inverte no Nordeste e no Norte: no Maranhão, Lula marca 58% contra 20% do senador; no Rio Grande do Norte, 56% a 19%; em Alagoas, 44% a 29%. No mesmo dia, uma sondagem do Real Time Big Data em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, mostrou o senador à frente por 38% a 33% no primeiro turno e por 49% a 44% no segundo, com 51% de rejeição ao presidente e 55% de desaprovação da gestão federal entre os eleitores paulistas. O Datafolha também havia registrado vantagem do senador em São Paulo, por 47% a 42%, e empate técnico em Minas Gerais.
Há convergência entre os diferentes campos da imprensa sobre o essencial. Todos os levantamentos citados estão registrados no Tribunal Superior Eleitoral, todos foram a campo entre 14 e 23 de agosto e todos descrevem uma eleição polarizada, com os dois primeiros colocados muito acima do restante do campo e com o quadro estável em relação às rodadas anteriores. Também não há disputa sobre os números em si: os percentuais aparecem iguais nas coberturas de esquerda, de centro e de direita.
A divergência está no recorte. Veículos de esquerda deram destaque às disputas estaduais e ao Senado, listando pesquisas em oito estados para governo e Casa Alta, sublinhando que aliados do presidente lideram no Pará e lembrando que 54 das 81 cadeiras do Senado estão em jogo, com 314 candidaturas. A cobertura de centro concentrou-se na leitura metodológica do quadro nacional, explicando repetidamente por que uma diferença de três ou quatro pontos com margem de erro de dois não constitui vantagem estatística, e registrando que o senador é o único adversário tecnicamente empatado com o presidente nos dois institutos. Veículos de direita enfatizaram os estados em que o senador lidera, os índices de rejeição e desaprovação em São Paulo, o custo fiscal das operações de crédito do governo e o avanço da Polícia Federal em investigação sobre atividades do filho do presidente, Fábio Luís da Silva, e de um ex-chefe de gabinete, com suspeita de tráfico de influência. Esses mesmos veículos também apontaram desgaste do lado oposto, ao registrar que o senador não conseguiu costurar alianças com outros partidos da direita ao centro e acabou escolhendo um correligionário do próprio PL como vice.
O que ainda não se sabe é como esse mosaico se converte em resultado. Nenhuma das pesquisas estaduais da Quaest simulou segundo turno, de modo que não há como aferir se a vantagem do senador no Sul e em São Paulo sobreviveria a um confronto direto naqueles estados. Os índices de indecisos são altos em várias unidades, chegando a 18% no Rio Grande do Sul e a 37% na disputa gaúcha pelo Senado. Também não há medição posterior à divulgação da investigação sobre o entorno do presidente, o que impede avaliar se o noticiário move ou não a intenção de voto. Por fim, nenhum dos levantamentos indica o que aconteceria com os votos dos candidatos menores num eventual segundo turno.