O Superior Tribunal de Justiça ganhou nova cúpula na quarta-feira, 19 de agosto de 2026. Em cerimônia marcada para as 18h, o ministro Luis Felipe Salomão assumiu a presidência da corte no lugar de Herman Benjamin, com o ministro Mauro Campbell Marques na vice-presidência. Os dois passam a comandar também o Conselho da Justiça Federal e conduzirão o tribunal no biênio 2026-2028. A escolha da dupla havia sido feita por aclamação, no Pleno do tribunal, em abril. Salomão está no STJ há dezessete anos, foi corregedor nacional de Justiça entre 2022 e 2024, atuou como ministro e corregedor no Tribunal Superior Eleitoral e conduziu inquérito administrativo sobre ataques às urnas eletrônicas em 2020.
No mesmo dia, a corrida presidencial seguiu em campo. Quatro candidatos cumpriram agenda pública. Hertz Dias, do PSTU, esteve em Juiz de Fora, em Minas Gerais, onde participou de reuniões com apoiadores e da assembleia dos trabalhadores da educação municipal. Renan Santos, do Missão, fez campanha em João Pessoa e acompanhou a retirada de câmeras atribuídas a uma facção criminosa. Romeu Zema, do Novo, percorreu a zona leste de São Paulo e a Feira de Guaianases. Ronaldo Caiado, do PSD, participou do Congresso das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos pela manhã e, à tarde, do Fórum de Debates da Confederação Nacional do Transporte, os dois em Brasília. Augusto Cury, Clariana Barão, Edmilson Costa, Flávio Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva, Pablo Marçal, Rui Costa Pimenta, Samara Martins e Wilson Grassi não registraram compromisso de campanha.
A cobertura de centro relatou a troca de comando no Judiciário e a ligou a um episódio recente. Em 6 de agosto, o Plenário do STJ considerou procedentes as acusações de assédio e importunação sexual contra o ministro Marco Buzzi e aplicou a ele a sanção de disponibilidade com proposta de perda do cargo, punição inédita para um integrante do tribunal. O reconhecimento das infrações foi unânime, ainda que parte do colegiado preferisse a aposentadoria compulsória, hoje vedada pelo Supremo Tribunal Federal. Salomão relatou o processo administrativo disciplinar ao lado dos ministros Benedito Gonçalves e Ricardo Villas Bôas Cueva, com base em resolução do Conselho Nacional de Justiça publicada na mesma semana do julgamento.
Veículos de esquerda destacaram o conteúdo das propostas apresentadas em campanha, com espaço equivalente para cada candidato e reprodução direta das falas. Hertz Dias defendeu a valorização dos profissionais da educação e a ampliação do investimento público, apontando a distância entre escolas com laboratórios e bibliotecas e redes sem estrutura adequada. Renan Santos colocou o enfrentamento a organizações criminosas como prioridade, afirmando que nenhum bairro ficará tomado pelo crime. Zema criticou a inflação sobre o preço dos alimentos e defendeu corte de gastos públicos. Caiado propôs organizar o Sistema Único de Saúde a partir de inteligência artificial, com prontuário médico no celular e agendamento virtual para reduzir filas e acelerar diagnósticos, e sustentou que a malha ferroviária e hidroviária precisa crescer porque as estradas não acompanharam o aumento do volume de cargas.
Nenhum veículo de direita cobriu o dia no material reunido aqui. O ângulo que costuma organizar essa cobertura, o custo da máquina pública, a segurança como pauta central e a cobrança de responsabilidade dentro do Judiciário, aparece nas falas dos próprios candidatos e na decisão do tribunal, mas sem análise editorial que o desenvolva.
Fica em aberto o desfecho do caso de Marco Buzzi, já que a proposta de perda do cargo depende de etapas seguintes que as reportagens não detalham, e o ministro punido não é ouvido. Também não se conhecem as prioridades anunciadas por Salomão para a nova gestão, nem o custo, o prazo e a fonte de financiamento das propostas apresentadas em campanha. As reportagens não explicam por que nove candidatos não registraram agenda pública no dia.