O Partido Missão, do candidato à Presidência Renan Santos, apresentou em 10 de setembro de 2026 dois pedidos ao Supremo Tribunal Federal para retirar parte do sigilo de investigações com repercussão eleitoral. Um trata do inquérito das fake news. O outro alcança a Operação Sem Desconto e processos relacionados às fraudes em descontos de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social. As peças foram assinadas pelo deputado federal Kim Kataguiri, que representa a campanha.
O pedido sobre as fake news foi dirigido ao presidente da Corte, Edson Fachin. A campanha solicita a divulgação de decisões judiciais já proferidas, seus fundamentos e os documentos usados para sustentá-las. Não pede a abertura de diligências em andamento nem de informações protegidas por lei. A iniciativa ocorreu um dia depois de Fachin revogar a designação de Alexandre de Moraes, que conduzia desde 2019 o inquérito agora assumido pelo presidente do tribunal.
A segunda petição foi encaminhada a André Mendonça, relator dos processos da Operação Sem Desconto. O partido quer acesso aos autos principais e a cinco procedimentos relacionados, com preservação de dados pessoais das vítimas e de material cuja reserva ainda tenha justificativa concreta. O argumento comum é que a publicidade deve ser a regra para atos já concluídos e que a manutenção do sigilo precisa ser explicada caso a caso.
Renan Santos inseriu os pedidos diretamente na disputa presidencial. O candidato afirmou que o eleitor deveria conhecer eventual participação de Lula ou Flávio Bolsonaro nos escândalos antes de votar. Também usou uma formulação acusatória sobre agentes políticos, integrantes do Judiciário e empresários que poderiam ter comprado ou abusado de direitos. Os artigos, porém, não apresentam provas dessas acusações nem informam uma decisão do Supremo Tribunal Federal sobre as petições.
A cobertura de centro relatou com mais detalhe a divisão entre os dois pedidos, os ministros responsáveis, os limites propostos para a publicidade e movimentos semelhantes de outros atores políticos. Esse conjunto permite distinguir a abertura de decisões e diligências concluídas da exposição de dados pessoais ou atos investigativos ainda ativos. Também mostra que a campanha apresentou a falta de informação oficial como risco para a escolha eleitoral.
Veículos de direita enfatizaram a fiscalização do Supremo Tribunal Federal e a necessidade de responsabilizar agentes públicos e privados. Nesse enquadramento, a troca de relator no inquérito das fake news cria uma oportunidade institucional para revisar o sigilo e aferir possíveis abusos. As matérias desse campo dão maior espaço à cobrança de Renan Santos, mas não comprovam as suspeitas formuladas por ele.
Não houve artigo classificado como esquerda no conjunto preservado. Uma leitura provável de esquerda, construída apenas com fatos da cobertura de centro, apoiaria transparência sobre recursos públicos e proteção de aposentados, ao mesmo tempo que exigiria cuidado com dados das vítimas, diligências em curso e presunção de inocência. Esse prisma separa o controle social legítimo do uso eleitoral de acusações ainda sem prova.
Ainda não se sabe se Edson Fachin e André Mendonça acolherão os pedidos, quais documentos poderão ser liberados nem em que prazo uma decisão será tomada. Também falta esclarecer que evidências, se houver, sustentam as referências de Renan Santos a Lula, Flávio Bolsonaro e a agentes supostamente envolvidos. Sem essas respostas, a controvérsia permanece centrada no equilíbrio entre publicidade, proteção processual e disputa eleitoral.