Fundo Havengate recebeu US$ 12,33 milhões do Dark Horse, diz Polícia Federal
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A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal esclarecimentos sobre a origem, o trânsito e os beneficiários finais dos recursos usados na produção de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O relatório aponta que a Entre Investimentos e Participações remeteu US$ 12,33 milhões ao Havengate Development Fund LP, fundo sediado nos Estados Unidos, ao longo de 2025, em parcelas compatíveis com um acordo de financiamento de US$ 24 milhões. Uma perícia anexada ao inquérito calcula o custo total da produção em US$ 13,4 milhões, o equivalente a R$ 75,2 milhões.
A investigação sobre o financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro expõe, para a cobertura de esquerda, a proximidade entre a família Bolsonaro e o dinheiro de um banqueiro cujo banco foi liquidado, e também a assimetria com que o sistema de Justiça e a imprensa tratam escândalos conforme o lado político do investigado.
Para a cobertura de direita, o caso Dark Horse é uma produção privada, sem um centavo de dinheiro público, transformada em munição política em ano eleitoral. O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, foi a público pedir que o Supremo Tribunal Federal derrubasse o sigilo de todos os documentos e afirmou que o filme é inteiramente legal, além de elogiar a condução do ministro André Mendonça.
4 fontes políticas
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Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Veículos com viés à direita
Todos os lados reconhecem que existe inquérito no Supremo Tribunal Federal, aberto por André Mendonça em julho, que a Polícia Federal pede esclarecimentos sobre o dinheiro repassado por Daniel Vorcaro e que a perícia não identificou recursos públicos ou incentivo fiscal na produção de Dark Horse.
O inquérito sobre a cinebiografia de Jair Bolsonaro chegou a um fundo criado no Texas para um empreendimento imobiliário que nunca saiu do papel. A Polícia Federal quer saber de onde veio e para onde foi o dinheiro, enquanto Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, pede a queda do sigilo e afirma que o filme é legal. Veja o que cada lado enfatiza.
A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal esclarecimentos sobre US$ 12,33 milhões enviados a um fundo sediado nos Estados Unidos e associados ao financiamento de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o relatório dos investigadores, a Entre Investimentos e Participações, empresa ligada a Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, remeteu o valor ao Havengate Development Fund LP ao longo de 2025, em parcelas de tamanho semelhante às previstas em um acordo de financiamento de US$ 24 milhões para o filme, então chamado Capitão do Povo. A corporação afirma que ainda é necessário esclarecer a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais dos valores movimentados.
O documento veio a público depois que o ministro André Mendonça liberou o sigilo de uma nova leva de processos ligados ao caso do Banco Master, cujo dono, o empresário Daniel Vorcaro, é apontado como origem de parte dos recursos. Em julho, o mesmo ministro havia autorizado a abertura de inquérito para apurar suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, a pedido da Polícia Federal e com manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República.
Os números da produção estão numa perícia do Instituto de Perícia Investigativa anexada ao inquérito. No Brasil, a produtora Go Up Entertainment aplicou R$ 20,9 milhões em cachês de onze atores e mais de oitocentos figurantes, equipe técnica, equipamentos, figurino, passagens, hospedagem, alimentação, camarins, segurança privada e gestão administrativa. Do total, 88,29% saiu por Pix, o equivalente a R$ 18,5 milhões, com o restante em boleto, transferência bancária e lançamentos menores. Nos Estados Unidos, as despesas somaram US$ 9,664 milhões. Somados os dois países, a perícia chega a um custo total de US$ 13,4 milhões, ou R$ 75,2 milhões, aplicados entre junho de 2025 e junho de 2026. O laudo registra que não identificou entrada de recursos públicos, repasses governamentais nem incentivo fiscal, e que a estrutura contratual prometia aos investidores privados retorno de R$ 1,20 para cada R$ 1 aplicado.
Sobre o fundo americano, o relatório descreve um histórico incomum. O Havengate foi criado em 2020 para captar recursos destinados a um empreendimento imobiliário de US$ 21,1 milhões na cidade de Melissa, no Texas, vinculado ao programa EB-5, que concede residência permanente nos Estados Unidos a partir de determinados investimentos. O empreendimento não saiu do papel e o fundo permaneceu, nas palavras dos investigadores, operacionalmente inerte por quase quatro anos, até receber, em fevereiro de 2025, os primeiros US$ 2 milhões vindos da Entre Investimentos. Mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicam que ele orientou que um pagamento destinado ao filme fosse feito por aquela empresa.
A cobertura de centro concentrou-se nesses documentos, reproduzindo a perícia e o relatório sem concluir por irregularidade e registrando a versão do senador Flávio Bolsonaro, para quem o dinheiro do banqueiro foi integralmente investido na produção. Veículos de esquerda deram outro peso ao caso: trataram a liberação lenta das informações como proteção ao senador em plena campanha presidencial, apontaram desequilíbrio entre a exposição desse inquérito e a de escândalos que atingem o campo governista, e viram na reativação de um fundo imobiliário dormente um indício de estrutura montada para movimentar dinheiro. Veículos de direita enfatizaram o gesto do senador, que em agenda de campanha em Manaus pediu ao ministro a retirada do sigilo de todos os documentos, afirmou que não tem nada a esconder e que o filme é totalmente legal, e elogiou a condução da investigação. Esse recorte também destaca que nenhum dinheiro público foi identificado pela perícia e que a corporação pede esclarecimentos, sem afirmar que houve crime.
O que ainda não se sabe é justamente o que a Polícia Federal pergunta: de onde veio, por onde passou e quem recebeu, ao final, o dinheiro que sustentou a produção. Também segue sem resposta pública por que um fundo criado para um projeto imobiliário que nunca começou foi usado como veículo de remessas internacionais para um filme, e se a diferença entre o acordo de financiamento de US$ 24 milhões e o custo apurado de US$ 13,4 milhões tem explicação contratual.
Investigação já teria avançado a ponto de comprovar a relação entre o senador Flávio Bolsonaro e o Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

Montante se refere às despesas da produção no Brasil; maior parte dos pagamentos foi realizada via Pix

Segundo Flávio Bolsonaro, o dinheiro de Vorcaro foi "100% investido" no filme; documento aponta fundo originalmente imobiliário, inativo por anos

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, pediu nesta sexta-feira (11) ao ministro do Supremo Tribunal Federal
