Datafolha: direita ultrapassa esquerda entre eleitores pela 1ª vez desde 2014
2 veículos de esquerda · 4 veículos de centro · 1 veículo de direita

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Pesquisa Datafolha divulgada em 3 de julho de 2026 aponta que 44% dos brasileiros são classificados à direita ou centro-direita e 39% à esquerda ou centro-esquerda, com 17% no centro — a primeira vez desde 2014 que a direita aparece à frente. A classificação não é autodeclaração: resulta de 16 perguntas sobre comportamento e economia. Em 7 de julho, o instituto divulgou a matriz ideológica dos eleitorados, mostrando que 24% dos eleitores de Lula têm perfil de direita e 19% dos de Flávio Bolsonaro, de esquerda.
O Datafolha aponta que a direita superou a esquerda na identificação ideológica pela primeira vez desde 2014, mas veículos de esquerda ressaltam que o número não é autodeclaração — é um cálculo do instituto a partir de 16 perguntas — e que no eixo econômico a esquerda segue majoritária.
O Datafolha confirma o que veículos de direita leem como uma virada de valores no país: pela primeira vez desde 2014, a direita e a centro-direita (44%) superam a esquerda e a centro-esquerda (39%), invertendo o quadro de 2022.
7 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Veículos com viés ao centro
Apelo emocional nesta matéria: 5/100.
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Veículos com viés à direita
Esquerda, centro e direita reproduzem os mesmos números centrais: 44% dos eleitores com perfil de direita/centro-direita, 39% de esquerda/centro-esquerda, primeira vantagem da direita desde 2014. Todos frisam que a classificação é um cálculo do instituto a partir de 16 perguntas, não uma autodeclaração.
A pesquisa Datafolha divulgada em 3 de julho de 2026 trouxe um dado que dominou o noticiário político: pela primeira vez desde 2014, a identificação dos brasileiros com a direita superou a com a esquerda. O levantamento classifica 44% dos eleitores como de direita ou centro-direita e 39% como de esquerda ou centro-esquerda, com 17% no centro. A diferença de cinco pontos está fora da margem de erro de dois pontos. Em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, o quadro era inverso: a esquerda somava 49% e a direita, 34%.
Um ponto que todas as coberturas fazem questão de explicar é a metodologia. A classificação ideológica não vem de uma pergunta direta sobre como a pessoa se define, mas de um cálculo do instituto a partir de 16 perguntas: dez sobre comportamento, temas como armas, pobreza, criminalidade, homossexualidade, crença em Deus e punição de adolescentes, e seis sobre economia, envolvendo impostos, papel do Estado, benefícios públicos e leis trabalhistas. Comportamento e economia têm peso igual. A amostra ouviu 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em 139 municípios, nos dias 17 e 18 de junho, e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09956/2026.
A cobertura de centro, em veículos como CNN, g1 e GZH, manteve o foco nos números e nos recortes demográficos: entre homens, 50% têm perfil de direita; entre mulheres, a esquerda lidera com 44%; entre evangélicos, 52% ficam à direita. O g1 destacou também uma nuance importante da própria pesquisa, a de que o avanço da direita se concentra no eixo comportamental, enquanto no eixo econômico posições associadas à esquerda seguem majoritárias.
Veículos de direita, como o InfoMoney, enfatizaram justamente a guinada de valores: a parcela que atribui a pobreza à preguiça de quem não quer trabalhar quase dobrou, de 22% para 40%; o apoio ao direito de possuir arma legalizada subiu de 35% para 41%; e a direita saltou de 39% para 52% no eixo comportamental desde 2022. Para essa leitura, o dado revela desgaste da hegemonia cultural da esquerda mesmo sob um governo do PT.
Já veículos de esquerda, como CartaCapital e Diário do Centro do Mundo, escolheram um ângulo diferente ao repercutir a segunda leva de dados, divulgada em 7 de julho. Eles destacaram que as bases eleitorais não seguem rótulos: 24% dos eleitores de Lula aparecem à direita ou centro-direita, enquanto 19% dos de Flávio Bolsonaro ficam à esquerda ou centro-esquerda. Essa cobertura sublinha que a classificação é um cálculo do instituto, não uma autodeclaração, e que convergências atravessam os campos — sete em cada dez eleitores dos dois lados defendem que o governo socorra grandes empresas nacionais em risco de falência.
A matriz ideológica também expôs contradições internas. Entre os eleitores de Flávio, 34% defendem a proibição da posse de armas, contrariando uma das principais bandeiras do pré-candidato. Entre os de Lula, 26% dizem que as leis trabalhistas atrapalham mais do que protegem, num momento em que o Planalto aposta no fim da escala 6x1 como trunfo eleitoral.
O que ainda não se sabe é como essa fotografia de valores se traduzirá em intenção de voto na disputa presidencial de 2026. A pesquisa mede identificação ideológica, não voto direto, e nos recortes por segmento a margem de erro é maior do que no total da amostra.
A pesquisa se baseou em 2.004 entrevistas, realizadas em 17 e 18 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais

Matriz ideológica do Datafolha aponta 24% dos eleitores de Lula à direita ou centro-direita e 19% dos de Flávio à esquerda.


Matriz ideológica mostra grupo de votantes em campos diferentes dos associados aos candidatos

Margem de erro é de dois pontos para mais ou menos. Foram ouvidas 2.004 pessoas de 16 anos ou mais nos dias 17 e 18 de junho.

Levantamento foi realizado nos dias 17 e 18 de junho e ouviu 2.004 eleitores em 139 municípios; margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%

A mudança em relação à 2022 se concentra justamente no eixo comportamental: agora a direita soma 52%, ante 29% da esquerda e 20% do centro.

Apelo emocional nesta matéria: 5/100.