O prazo para o registro de candidaturas das eleições de 2026 terminou às 19h de sábado, 15 de agosto, e o Tribunal Superior Eleitoral fechou o balanço com 20.607 pessoas concorrendo a algum cargo eletivo. O número é 29,6% menor que o de 2022 e representa a primeira queda de candidaturas desde 2006, depois de sucessivas altas. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e o segundo, se necessário, para 25 de outubro.
A cobertura de centro relatou os dados consolidados pela Justiça Eleitoral na noite de 18 de agosto: 13 candidatos à Presidência, 196 a governador, 315 ao Senado, 7.672 à Câmara dos Deputados, 11.138 às assembleias estaduais e 426 à Câmara Legislativa do Distrito Federal. Serão eleitos 1.790 nomes. São Paulo lidera em volume de candidaturas, com 2.590, seguido pelo Rio de Janeiro, com 2.017, e por Minas Gerais, com 1.811. As mulheres são 34,88% dos registros, recorde proporcional da série histórica, e 49,6% dos candidatos se declararam pretos ou pardos.
Três explicações aparecem para a retração. O país passou de 32 para 30 partidos aptos a lançar candidatos, por incorporações e fusões. A cláusula de desempenho ficou mais exigente: para manter acesso ao Fundo Partidário e à propaganda partidária, partidos e federações precisam alcançar 2,5% dos votos válidos para deputado federal em pelo menos nove estados, com no mínimo 1,5% em cada um, ou eleger 13 deputados federais em nove unidades da Federação. E o número de federações partidárias subiu de três para cinco, com a entrada de União Progressista e Renovação Solidária, o que faz siglas antes autônomas dividirem um mesmo limite de candidaturas nas eleições proporcionais.
Na disputa presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concorre à reeleição com Geraldo Alckmin como vice, e o senador Flávio Bolsonaro é o candidato do Partido Liberal, com o deputado federal Alfredo Gaspar na vice. Também estão registrados Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos, Pablo Marçal, Augusto Cury, Clariana Barão, Wilson Grassi, Edmilson Costa, Hertz Dias, Samara Martins e Rui Costa Pimenta.
Veículos de direita concentraram a cobertura nas listas estaduais e nas plataformas econômicas dos candidatos, com ênfase em equilíbrio fiscal, privatizações, redução do tamanho do Estado e segurança pública, e detalharam disputas como as da Paraíba, do Rio Grande do Sul e do Distrito Federal, onde levantamentos registrados na Justiça Eleitoral apontam cenários ainda indefinidos. Veículos de esquerda escolheram outro recorte: a reprodução de dinastias familiares no pleito. Nesse enquadramento aparecem os filhos de Jair Bolsonaro concorrendo a Presidência, Senado e Câmara, Álvaro Lira disputando a cadeira que o pai, Arthur Lira, deixa para tentar o Senado, Renan Filho no governo de Alagoas enquanto Renan Calheiros busca a reeleição, além de Efraim Filho, João Campos, ACM Neto, Zeca Dirceu e Dani Cunha. O argumento é que o sobrenome funciona como ativo eleitoral pronto, e que o fenômeno atravessa esquerda, direita e centro. Também ganhou espaço nessa cobertura o dado de 406 candidatos autodeclarados LGBTQIA+, 2% do total, na primeira eleição geral em que o Tribunal Superior Eleitoral coleta a informação, com concentração em Partido dos Trabalhadores e Partido Socialismo e Liberdade.
Nada disso está definitivamente decidido. Pedir registro não é ter candidatura aprovada: o Tribunal Superior Eleitoral e os tribunais regionais ainda analisam condições de elegibilidade e causas de inelegibilidade, e partidos, coligações e o Ministério Público Eleitoral podem contestar nomes. O calendário prevê que todos os registros sejam julgados até 14 de setembro, 20 dias antes da votação, embora recursos possam se estender além disso. A campanha nas ruas e na internet começou em 16 de agosto, e o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão começa em 28 de agosto.
O que ainda não se sabe é quantos dos 20.607 registros vão cair na Justiça Eleitoral, se a cláusula de desempenho vai de fato reduzir a fragmentação do Congresso eleito e como a queda de candidaturas se distribui entre legendas grandes e pequenas. Não há, na cobertura reunida, pesquisa nacional consolidada sobre a corrida presidencial, nem explicação para o fato de 45% dos candidatos não terem informado a orientação sexual à Justiça Eleitoral.