O senador Romário (PL-RJ) anunciou, em 30 de junho de 2026, que devolverá os salários recebidos enquanto permanece nos Estados Unidos atuando como comentarista da Copa do Mundo. A decisão foi comunicada por videoconferência ao plenário e formalizada em ofício enviado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pedindo a suspensão dos pagamentos referentes ao período entre 11 de junho e 19 de julho. "Voluntariamente, abri mão do meu salário por todo o período em que estarei acompanhando a Copa. O que for pago será devolvido aos cofres públicos", afirmou o parlamentar.
O episódio nasceu de críticas nas redes sociais à decisão do senador de conciliar o mandato com o trabalho de comentarista na CazéTV e uma coluna sobre a competição no jornal O Globo. Romário fez questão de esclarecer que não pediu licença para permanecer apto a votar a proposta de emenda à Constituição que trata do fim da escala de trabalho 6x1. "Fiz questão de permanecer no exercício do mandato e garantir a minha participação nas discussões e na votação da proposta", disse. Um senador recebe hoje R$ 46.366,19 por mês, e, até o recesso, as sessões são semipresenciais: o Sistema de Deliberação Remoto permite registrar presença e votar sem estar em Brasília e sem desconto automático no salário.
A cobertura de centro relatou os fatos com paridade: o anúncio, o ofício, o valor da remuneração e o mecanismo remoto que garante a participação à distância. Nesse ponto todos os lados convergem — o senador esteve nos Estados Unidos, recebeu do Senado e decidiu ressarcir os cofres públicos.
É na leitura política que as coberturas se separam. Veículos de esquerda enfatizaram a defesa institucional feita por Alcolumbre, que classificou Romário como vítima de agressões e atribuiu a pressão à polarização que, segundo ele, tem prejudicado o trabalho de todos os parlamentares. Nessa chave, o gesto de devolver o dinheiro aparece como demonstração de boa-fé, e a permanência no mandato é valorizada por permitir o voto favorável à PEC do fim da escala 6x1, pauta de proteção aos trabalhadores. Já veículos de direita enfatizaram o desgaste: para o editor de VEJA José Benedito da Silva, a atitude foi correta, mas o episódio expõe fragilidades nos controles do Senado, porque sem a devolução o pagamento correria normalmente. O cientista político Leandro Consentino foi além e sustentou que o caso corrói a narrativa bolsonarista de "moralização da coisa pública" erguida desde 2018, somando-se a outros escândalos que, segundo ele, vão demolindo essa bandeira e atingem não só o PL, mas todo o movimento. Ambos os analistas ponderaram que o prejuízo eleitoral direto para Romário é limitado, já que ele só volta às urnas em 2030.
O que ainda não se sabe é se o Senado adotará regras mais claras para casos de parlamentares em exercício de outra atividade remunerada no exterior, e qual será o desfecho da PEC da escala 6x1, cuja votação motivou a permanência do senador no mandato.