A pré-campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição em 2026 entrou em uma fase mais combativa. Em ato do PT com funcionários públicos em Brasília, no dia 6 de julho de 2026, o ex-ministro Gilberto Carvalho, um dos coordenadores da agenda de pré-campanha, afirmou que a disputa deste ano tem um caráter inédito. Segundo ele, nas eleições anteriores havia sempre adversários do primeiro turno dispostos a apoiar Lula no segundo, como Ciro Gomes, Marina Silva e Simone Tebet. Desta vez, avaliou, o cenário é outro: 'Desta vez, é nós contra o resto'. Carvalho classificou a eventual reeleição como 'a sobrevivência da democracia' e disse haver clima favorável, atribuindo 'erros' ao principal adversário, o pré-candidato Flávio Bolsonaro.
A cobertura de centro, feita pelo Poder360, relatou a fala com as aspas na íntegra e contextualizou a retórica do 'nós contra eles' que Lula costuma usar para contrapor pobres e ricos. O mesmo veículo apurou junto ao PT se o uso de servidores no evento poderia configurar conduta vedada, já que a legislação eleitoral proíbe o emprego da máquina pública em favor de candidatos. O partido negou qualquer ilegalidade, afirmou que o encontro foi custeado com recursos partidários, ocorreu fora do expediente e não houve pedido de voto, e sustentou a 'plena licitude jurídica' da reunião.
Na mesma semana, veículos de direita, como a Veja, enfatizaram outro flanco da pré-campanha. O Ministério Público Federal apresentou na Justiça Federal do Piauí duas denúncias contra Rejane Dias, conselheira do Tribunal de Contas do Estado e esposa do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, também apontado como coordenador da campanha de Lula. As acusações se referem ao período em que ela foi secretária de Educação do estado, entre 2015 e 2018, quando o marido era governador. Segundo o MPF, um esquema de licitações viciadas cobrava propina de até 50% dos contratos e superfaturava o transporte escolar, com desvios que podem ultrapassar R$ 50 milhões. As denúncias mencionam ainda o uso de veículos inadequados, do tipo 'pau de arara', com pneus carecas e motoristas sem habilitação exigida, o que teria colocado em risco a segurança dos alunos.
É nesse ponto que as coberturas divergem em ênfase. A cobertura de centro tratou os dois fatos como episódios distintos da conjuntura eleitoral e deu espaço equivalente à mobilização petista e à apuração da legalidade do evento. Veículos de direita ligaram a denúncia diretamente ao 'coordenador da campanha de Lula' e destacaram o alcance da corrupção no entorno presidencial. Já a leitura alinhada à esquerda, embora sem cobertura própria neste conjunto de fontes, tende a enquadrar a ação como reciclagem de acusações antigas, movidas às vésperas da eleição para desgastar o campo governista. Esse ângulo se apoia na própria nota de defesa de Rejane Dias, que afirmou que os fatos, de 2018, já foram apreciados pelos órgãos de controle, que as contas foram aprovadas e que uma denúncia penal sobre os mesmos fatos não foi admitida e transitou em julgado.
O que ainda não se sabe é como a Justiça Federal do Piauí decidirá sobre as duas denúncias e se haverá bloqueio de bens, além de se o evento do PT com servidores será formalmente questionado por conduta vedada. Também permanece em aberto o efeito prático dessas disputas sobre a estratégia de Lula de buscar, pela primeira vez, uma vitória já no primeiro turno.