Câmara dos Deputados eleita em 2026 terá 109 mulheres e direita mais forte
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A eleição de 2026 deu ao Congresso a maior bancada feminina da história, mas a cobertura alinhada à esquerda ressalta que mais mulheres não garantem políticas para mulheres. O avanço da direita na Câmara ameaça pautas como o fim da escala 6x1, a revisão das aposentadorias, direitos reprodutivos e agenda ambiental, enquanto a representação negra no Senado recuou.
As urnas de 2026 fortaleceram a direita na Câmara dos Deputados e deram ao campo mais capacidade de pautar temas defendidos na campanha. Pela leitura alinhada à direita, o resultado reflete eleitores que passaram a votar por ideologia e abre caminho para endurecimento penal, liberação de armas, agronegócio e pressão por impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.
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Veículos com viés à direita
As duas coberturas tratam a eleição de 2026 como uma mudança relevante no perfil da Câmara dos Deputados e registram que a federação PT-PCdoB-PV também teve bom desempenho, ao lado do crescimento da direita.
A eleição de 2026 mudou o perfil do Congresso Nacional. A Câmara dos Deputados terá 109 mulheres, ante 90 hoje, e o Senado Federal 18 senadoras. Ao mesmo tempo, a direita ampliou sua bancada e deve pressionar por pautas de segurança, armas e costumes, enquanto o centro segue decisivo para formar maiorias.
O Congresso Nacional eleito em 2026 terá um perfil diferente do atual. Na Câmara dos Deputados, a bancada feminina passará de 90 para 109 deputadas, a maior da história, e a direita sai das urnas com mais cadeiras e mais capacidade de definir a agenda de votações. Os eleitos tomam posse em fevereiro.
Os números da representação feminina são expressivos mesmo com menos candidatas. Em 2022, 3.317 mulheres disputaram vaga de deputada federal; em 2026 foram 2.820. Ainda assim, as eleitas cresceram cerca de 21% e vão ocupar 21% das 513 cadeiras. No Senado Federal, os eleitores escolheram 12 mulheres entre as 54 vagas em disputa, o maior número desde a redemocratização. A Casa passará de 15 para 18 senadoras, 22,2% das 81 cadeiras. A federação formada por PT, PCdoB e PV foi a que mais elegeu mulheres, com 34 das 109 deputadas.
A cobertura de centro concentrou-se na mudança ideológica da Câmara. Especialistas da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político avaliaram que partidos de direita e de centro-direita terão mais força para pautar segurança pública, endurecimento penal, liberação de armas, agronegócio e temas de costumes. O cientista social Tiago Valenciano atribuiu o resultado ao peso maior da ideologia na escolha dos deputados, impulsionado pela internet, e previu que o pedido de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal deve ganhar força. O cientista político Celso Fernandes ponderou que o PL cresceu, mas a federação do PT também, o que indica uma sociedade polarizada, e que nenhuma maioria está garantida sem os partidos de centro.
Veículos de esquerda destacaram outro ângulo do mesmo resultado. Para eles, o aumento de mulheres eleitas não significa avanço automático das pautas feministas. A professora Flávia Biroli, da Universidade de Brasília, lembrou que parlamentares podem defender visões contrárias à igualdade, citando o voto de Bia Kicis contra a lei de igualdade salarial. Esses veículos também registraram que ao menos 15 mulheres negras foram eleitas para a Câmara, ante 9 em 2022, segundo a organização Mulheres Negras Decidem, mas que nenhuma das 12 senadoras eleitas é negra. A cobertura de centro acrescentou que propostas como o fim da escala 6x1, a revisão das aposentadorias, a ampliação de direitos reprodutivos e pautas ambientais devem enfrentar mais resistência.
Entre os veículos de direita, até o momento não houve cobertura com enquadramento próprio sobre o tema. A leitura de que a direita sai fortalecida veio de análises de especialistas publicadas pela cobertura de centro.
Ainda não se sabe o tamanho exato de cada bancada partidária nem como os partidos de centro vão se posicionar nas votações. Também segue em aberto se o crescimento da bancada feminina vai se traduzir em projetos voltados às mulheres na próxima legislatura.
Resultado, porém, não significa avanço nas pautas feministas.
Fortalecimento da bancada deve dar mais espaço a pautas de segurança, armas e costumes, mas centro continuará decisivo