
Desemprego recua a 5,3% no trimestre até julho e dólar sobe a R$ 5,163
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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou em 27 de agosto que a taxa de desemprego caiu a 5,3% no trimestre encerrado em julho, ante 5,8% no trimestre até abril, o menor nível para esse período desde o início da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, em 2012. No mesmo pregão, o dólar fechou em alta de 0,20%, a R$ 5,163, e o Ibovespa subiu 0,31%, aos 175.135 pontos, puxado pela Petrobras. Analistas de mercado leram o emprego forte como obstáculo à desaceleração da inflação e ao corte da Selic, hoje em 14% ao ano. O Banco Central realizou dois leilões simultâneos de US$ 1 bilhão, de venda à vista e de swap cambial reverso, operação de efeito nulo sobre a cotação e voltada a dar liquidez. No exterior, investidores aguardavam o discurso de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, no simpósio de Jackson Hole.
Esquerda
Sem cobertura neste espectro.
Centro
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou em 27 de agosto que a taxa de desemprego caiu a 5,3% no trimestre encerrado em julho, ante 5,8% no trimestre até abril, o menor nível para esse período desde o início da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, em 2012.
Direita
Os dados do dia expõem o desequilíbrio de fundo da economia brasileira: com desemprego em 5,3%, rendimentos em recuperação e massa salarial em nível recorde, a inflação segue resistente e o Boletim Focus ainda projeta o índice acima do teto de 4,5% da meta perseguida pelo Banco Central.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
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Veículos com viés ao centro
O texto atribui cada interpretação a fonte nomeada e apresenta os números do IBGE, do Banco Central e do Fed sem adjetivação. O enquadramento de que mercado de trabalho aquecido 'dificulta' a queda de preços aparece entre aspas de analistas, não na voz do repórter, o que sustenta CENTER; o desequilíbrio de fontes rebaixa a equidade, não o viés declarado.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial direita.
Texto de agenda: lista horários de indicadores (PNAD Contínua, balança comercial, Tesouro) e resume notas de terceiros com verbos neutros. O vocabulário de mercado ('apetite a risco', 'aperto monetário') descreve comportamento de investidor sem defender redução de Estado nem proteção social, o que mantém o artigo em CENTER apesar do perfil pró-mercado do veículo.
A queda do desemprego a 5,3% no trimestre encerrado em julho, o menor nível para o período desde 2012, chegou ao mercado no mesmo dia em que o dólar subiu a R$ 5,163 e a Bolsa fechou aos 175.135 pontos. Para analistas, um mercado de trabalho aquecido dificulta a desaceleração da inflação e limita o espaço de corte da Selic, hoje em 14% ao ano.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou em 27 de agosto que a taxa de desemprego no Brasil recuou para 5,3% no trimestre encerrado em julho, contra 5,8% nos três meses terminados em abril. É o menor patamar para esse trimestre desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, em 2012. No mesmo pregão, o dólar fechou em alta de 0,20%, cotado a R$ 5,163, e o Ibovespa avançou 0,31%, aos 175.135 pontos, impulsionado pelas ações da Petrobras.
Os dois movimentos foram lidos em conjunto pelas mesas de operação. Para o economista Rafael Perez, da Suno Research, a combinação de desemprego historicamente baixo, massa salarial recorde e rendimentos em recuperação dificulta uma desaceleração mais consistente dos preços e desafia a condução da política monetária. A avaliação convive com um dado em sentido oposto: o próprio IBGE havia mostrado que o IPCA-15 registrou deflação de 0,4% em agosto, a primeira do índice em um ano e a maior em quatro anos. Ainda assim, o Boletim Focus mantém projeção de inflação acima do teto de 4,5% da meta perseguida pelo Banco Central, e o consenso de mercado é de que a Selic termine em 13,75% ao ano, ante os 14% atuais.
Houve também intervenção direta da autoridade monetária no câmbio. O Banco Central anunciou dois leilões simultâneos, um de venda à vista de US$ 1 bilhão e outro de 20 mil contratos de swap cambial reverso, no mesmo valor. Como a instituição vende em uma ponta e compra na outra, o efeito teórico sobre a cotação é nulo, e a operação serve para injetar liquidez no mercado à vista.
A cobertura de veículos de direita, de perfil especializado em mercado, organizou o dia pela agenda de indicadores e deu peso ao ambiente de negócios e à política econômica do governo: registrou a defesa do Ministério da Fazenda pela prorrogação por 60 dias do imposto de exportação sobre o petróleo bruto, criado para enfrentar os efeitos da guerra no Oriente Médio e cobrir o custo do subsídio à gasolina e ao diesel, e o início da renegociação de dívidas rurais pelo Banco do Brasil, que estima até R$ 100 bilhões em operações elegíveis de cerca de 113 mil clientes, depois de a inadimplência do agronegócio acima de 90 dias subir de 3,16% para 6,27% em um ano.
A cobertura de centro concentrou-se no fechamento dos ativos e na leitura de juros, ouvindo casas de investimento sobre o que o emprego forte significa para a Selic e sobre a expectativa em torno do simpósio anual do Federal Reserve em Jackson Hole, onde Kevin Warsh, presidente da instituição, faria seu primeiro grande discurso. Nos Estados Unidos, o índice de preços PCE subiu 3,7% em doze meses até julho, acima da previsão de 3,6% e distante da meta de 2%, o que sustenta a expectativa de juros americanos altos, favorece o dólar e reduz o ganho da estratégia de carry trade. Veículos de esquerda não integraram este conjunto de reportagens, e o ângulo do custo social dos juros altos e do efeito da queda do desemprego sobre a renda das famílias ficou ausente da apuração disponível.
A divergência de ênfase entre as duas coberturas é de recorte, não de fato. A leitura pró-mercado tratou emprego e crédito como variáveis de risco fiscal e de balanço bancário; a leitura de centro tratou os mesmos números como insumo para prever a próxima decisão do Comitê de Política Monetária. Nenhuma das duas apurou junto a trabalhadores ou a pesquisadores de mercado de trabalho o que a menor taxa da série significa para quem foi contratado.
Permanecem em aberto pontos relevantes. Não se sabe o conteúdo da sinalização de Kevin Warsh sobre a trajetória dos juros americanos, descrita pelo analista Leonel Oliveira Mattos, da StoneX, como decisiva diante de um comunicado anterior considerado enigmático. Também não está resolvido o controle do estreito de Hormuz: o Irã anunciou acordo com Omã, mas o vice-chanceler Kazem Gharibabadi afirmou que a via seguirá obstruída até que os detalhes sejam fechados, enquanto a Guarda Revolucionária condiciona a medida ao aval dos Estados Unidos e a Casa Branca nega negociações em curso. Com o petróleo Brent em alta de 1,97%, a US$ 89,57, o desfecho dessa disputa é a principal incógnita para o câmbio e para os preços de combustíveis no Brasil nas próximas semanas.
As duas linhas de cobertura registram os mesmos números sem disputa: desemprego de 5,3% no trimestre até julho, o menor da série para o período; dólar a R$ 5,163; Ibovespa aos 175.135 pontos; e Selic ainda em 14% ao ano, com expectativa de queda apenas para 13,75%. Também há convergência de que a decisão do Federal Reserve em Jackson Hole e o impasse no estreito de Hormuz são os fatores externos que mais pesam sobre o câmbio brasileiro.

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