O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro desistiu de concorrer como primeiro suplente de André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, na disputa por uma vaga ao Senado nas eleições de 2026. O anúncio foi feito em 29 de julho, em publicação nas redes sociais, e confirmado por Prado. Com a saída, o ex-prefeito de Holambra Fernando Fiori de Godoy passa a primeiro suplente e a vereadora paulistana Rute Costa entra como segunda suplente, ambos filiados ao Partido Liberal.
O ponto em que toda a cobertura converge é a causa da desistência. Eduardo está inelegível por oito anos após ser condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, em junho, por coação no curso do processo, com pena de quatro anos e dois meses de reclusão. A avaliação jurídica dentro do próprio partido era de que manter o nome dele na chapa poderia levar à impugnação do registro e até à anulação dos votos obtidos por Prado, contaminando toda a candidatura. Foi para evitar esse risco que a troca foi acertada. Eduardo vive nos Estados Unidos desde o início de 2025 e, em julho, obteve um green card do governo de Donald Trump.
A cobertura de centro relatou os fatos de forma objetiva, detalhando o cálculo eleitoral: André do Prado é apoiado pelo governador Tarcísio de Freitas, disputa o Senado em dobradinha com Guilherme Derrite e aposta em ser reconhecido como o 'candidato de Tarcísio' para crescer nas pesquisas. Veículos de centro também registraram que uma pesquisa Quaest divulgada no mesmo dia aponta as ex-ministras Marina Silva e Simone Tebet à frente dos nomes bolsonaristas na disputa paulista ao Senado.
É no enquadramento que a cobertura se divide. Veículos de direita deram relevo à versão do próprio parlamentar, que descreve um cenário de 'grave insegurança jurídica' e 'evidente perseguição política' contra ele e a família, e apresenta a desistência como gesto de responsabilidade e desprendimento em nome de um projeto maior, com apelo para que o eleitorado concentre esforços na campanha presidencial de seu irmão, Flávio Bolsonaro. Já veículos de esquerda enfatizaram que a saída não tem nada de voluntária no sentido político: ela decorre de uma condenação criminal colegiada por articular, junto ao governo dos Estados Unidos, sanções contra autoridades e ministros brasileiros. Nessa leitura, a alegação de perseguição é tratada como narrativa de vitimização que não altera o fato que a motivou.
Parte da cobertura ainda registrou as tensões internas do PL em torno de Prado, associado ao presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, e criticado por adversários da direita, como Ricardo Salles, que o acusam de representar o 'Centrão'. O que ainda não se sabe é se Eduardo tentará algum recurso, se pretende de fato retornar ao Brasil e enfrentar as consequências da condenação, e qual será o efeito concreto da mudança de suplentes sobre o desempenho de Prado nas urnas em outubro.