Duas pesquisas divulgadas na última semana de julho de 2026 colocaram frente a frente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e desenharam uma corrida presidencial em que a vantagem do atual mandatário no voto convive com um eleitorado quase dividido sobre qual desfecho considera mais preocupante.
O levantamento Nexus/BTG, divulgado na segunda-feira (27), aponta Lula com 42% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 33%. Na sequência do cenário estimulado aparecem o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), com 6%, o coordenador nacional do MBL Renan Santos (Missão), com 5%, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), com 3%, e o escritor Augusto Cury (Avante), com 2%. Cabo Daciolo (Mobiliza) não pontuou. Votos brancos, nulos e em nenhum candidato somam 6%, e 2% não souberam responder. Foram 2.004 entrevistas por telefone entre 24 e 26 de julho, com margem de erro de 2 pontos percentuais e registro no Tribunal Superior Eleitoral.
Dois dias depois, a AtlasIntel publicou outro recorte da mesma disputa. Perguntados sobre qual resultado possível lhes causa mais medo ou preocupação, 46,6% dos entrevistados citaram a eleição do senador do PL e 44,6% apontaram a reeleição do presidente. O estudo ouviu 5.021 pessoas entre 22 e 27 de julho, tem margem de erro de 1 ponto percentual, custou R$ 80 mil pagos com recursos próprios e também está registrado na Justiça Eleitoral. No mesmo levantamento, Lula aparece à frente de Flávio em 12 das 13 áreas de governo avaliadas. A maior distância está em pobreza e desigualdade social, 51% a 41%. As menores aparecem em equilíbrio fiscal e controle de gastos e em impostos e carga tributária, ambas 45% a 44%, e em combate à corrupção, 45% a 43%. Em criminalidade e tráfico de drogas houve empate, com 46% para cada um.
A cobertura de centro, que concentra o noticiário sobre os dois levantamentos, tratou os dados de forma descritiva: detalhou amostra, período de campo, margem de erro e número de registro no TSE, transcreveu as perguntas aplicadas e não atribuiu causa aos resultados nem projetou cenários de desfecho.
Os mesmos números admitem leituras opostas. Na chave de veículos de esquerda, o ponto central é que o temor de uma vitória do candidato do PL supera o temor da continuidade do governo atual, e que a maior vantagem do presidente está justamente em pobreza e desigualdade social, terreno das políticas de proteção social e de transferência de renda. Veículos de direita enfatizariam o inverso: um candidato que disputa sua primeira eleição presidencial já marca 33% poucos dias depois da convenção do PL, empata com um presidente em exercício em criminalidade e tráfico de drogas e fica a 1 ponto dele em contas públicas e carga tributária, sinal de que a dianteira do governo é estreita exatamente nos temas de gestão.
O que ainda não se sabe é como essa distância se comporta em segundo turno. Nenhum dos dois levantamentos publicados nesses textos traz o confronto direto entre os dois nomes na etapa final, nem série histórica que permita medir se a diferença cresceu ou encolheu nas últimas semanas. Também não aparecem taxas de rejeição por candidato nem recortes por região, renda ou escolaridade. Como as duas pesquisas usaram métodos e amostras diferentes, 2.004 entrevistas por telefone em um caso e 5.021 no outro, os percentuais não são diretamente comparáveis entre si. E as campanhas não comentaram os resultados nas matérias analisadas.