Os eleitores de Roraima foram às urnas no domingo, 21 de junho de 2026, em uma eleição suplementar para governador marcada por um impasse jurídico que começou antes da campanha e pode continuar depois da apuração. As urnas fecharam às 17h e o Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) iniciou a contagem dos votos às 19h30. A votação só aconteceu porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou a chapa de Antonio Denarium e Edilson Damião, eleita em 2022. A cobertura de centro relatou que o TSE levou 623 dias para concluir esse julgamento, encerrado em 30 de abril, e que a demora encurtou o calendário eleitoral.
A cronologia do processo é o coração da disputa. O caso recebeu o primeiro voto pela cassação em 2024, quando a então relatora, ministra Isabel Gallotti, defendeu a retirada da chapa e a convocação de uma nova eleição. Na mesma semana, a então presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, reuniu-se com o senador Hiran Gonçalves e com Eugênio Aragão, advogado que atuava na defesa dos cassados. Sete dias depois do encontro, o caso saiu da pauta. O julgamento só voltou em novembro de 2025, quando o ministro André Mendonça acompanhou parcialmente a relatora. Em seguida, o ministro Kassio Nunes Marques pediu vista e manteve o processo parado por mais de 90 dias, acima do prazo regimental, devolvendo-o apenas meses depois, já como presidente do TSE.
Veículos de direita enfatizaram exatamente esse ponto: a morosidade e a falta de previsibilidade da Justiça Eleitoral. A cobertura à direita destacou a sequência do encontro de Cármen Lúcia e a saída do caso da pauta como sinal de fragilidade no rito, e valorizou a entrada do Supremo como reposição de ordem. Já a cobertura de centro tratou os mesmos fatos de forma descritiva, registrando que Cármen Lúcia e Hiran Gonçalves foram procurados e não comentaram o teor da reunião, um esforço de contraditório.
Com a cassação confirmada, o TRE-RR aprovou uma regra excepcional que permitia a desincompatibilização de candidatos em 24 horas. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou a medida e determinou a aplicação dos prazos da legislação eleitoral, de três, quatro ou seis meses antes da votação, conforme o cargo. A 1ª Turma do STF manteve a decisão. Em decisão de 16 de junho, Dino afirmou que o STF é a 'última e incontrastável instância' para fixar a interpretação constitucional a ser seguida pelo Judiciário. Ao analisar o caso, a Corte reduziu o espaço de atuação do TSE e assumiu a palavra final sobre a controvérsia.
Três chapas disputaram o governo. A cobertura de centro detalhou cada uma: Soldado Sampaio (Republicanos), governador interino, com Tayla Peres como vice; Nelita Frank (PT), com Bartô Macuxi (Psol), que substituiu Antônia Pedrosa, barrada pelo tempo de desincompatibilização; e Arthur Henrique (PL), com Subtenente Velton, cuja chapa foi contestada depois que o STF derrubou a regra dos 24 horas. O PL recorreu ao Supremo para manter a candidatura, mas o ministro Edson Fachin negou o pedido. Mesmo assim, a chapa permaneceu na urna enquanto tentava reverter a situação.
O que ainda não se sabe é o desfecho. A apuração pode levar a eleição de volta ao Judiciário: se os votos de Arthur Henrique forem decisivos, adversários poderão questionar a validade do resultado, alegando que a Justiça Eleitoral manteve na urna uma candidatura barrada pelo Supremo. Nenhuma das fontes responde como o TRE-RR tratará operacionalmente esses votos, nem se haverá novo recurso ao STF após a contagem.