A disputa por uma das vagas ao Senado na chapa de reeleição da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, do PSD, provocou um racha na federação União Progressista, formada por PP e União Brasil. O diretório estadual da federação aprovou, na segunda-feira, o deputado federal Eduardo da Fonte, do PP, como pré-candidato à Casa Legislativa. O União Brasil, porém, resiste à indicação e trabalha para emplacar o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho no mesmo posto.
O impasse ganhou contornos públicos quando o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, referendou por nota a decisão da executiva estadual e confirmou da Fonte como pré-candidato. Já o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, afirmou que não há nenhuma decisão tomada e que qualquer encaminhamento local que não seja unânime entre as duas legendas não produzirá efeito perante a Executiva Nacional da federação, a quem, segundo ele, cabe decidir.
A cobertura de centro, como a de O Globo e da Tribuna do Sertão, relatou o episódio de forma factual, dando paridade às falas dos protagonistas. Eduardo da Fonte sustenta que a escolha seguiu o regimento: afirma que o PP tem cinco votos de titulares na federação estadual e o União Brasil, dois, e que a direção nacional só poderia desfazer a decisão com a assinatura conjunta de Ciro Nogueira e Antonio Rueda. Miguel Coelho, por sua vez, cita divergências de narrativas e defende que, no caso de candidaturas majoritárias, o estatuto exige unanimidade entre os dois partidos, cabendo a decisão final à governadora Raquel Lyra, a quem chama de líder natural do processo.
Veículos de direita, como o R7, que reproduziu material do Estadão Conteúdo, acrescentaram que a indefinição vai além do racha entre PP e União Brasil. No PSD, o deputado federal Túlio Gadelha e o senador Fernando Dueire também travam uma disputa interna pela outra vaga de senador na mesma chapa. Essa cobertura ainda detalhou que, embora o PP descreva Ciro Nogueira como copresidente da federação, ele consta como vice-presidente no registro do Tribunal Superior Eleitoral, enquanto Rueda figura como presidente.
Os veículos convergem nos fatos centrais: há duas pré-candidaturas postas para uma única vaga, o PP e o União Brasil divergem sobre o nome, e a chapa de Lyra deve contar com Túlio Gadelha em um dos assentos após sua migração da Rede para o PSD. Veículos alinhados ao campo progressista tendem a enfatizar que o episódio revela como as candidaturas são definidas em acordos de cúpula partidária, com pouca transparência para o eleitor, e que o campo de esquerda já aparece organizado em torno de João Campos ao governo, com Marília Arraes e Humberto Costa ao Senado. A cobertura de centro-direita destaca o esforço de construção de um palanque competitivo em torno da reeleição da governadora.
O que ainda não se sabe é qual será o desfecho: nenhuma fonte informou prazo para a decisão da Executiva Nacional da federação, tampouco a posição formal e definitiva da governadora Raquel Lyra sobre qual dos dois nomes prefere. A disputa paralela no PSD entre Gadelha e Dueire igualmente segue em aberto.