O primeiro dia oficial de campanha em São Paulo, no domingo, 16 de agosto de 2026, colocou os principais adversários da disputa estadual em cidades vizinhas e com estratégias opostas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu a corrida pela reeleição em um comício no Estádio 1º de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, ao lado do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, candidato do Partido dos Trabalhadores ao governo paulista. A cerca de 30 quilômetros dali, em Osasco, o governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, começou a busca pela reeleição em uma roda de conversa com cerca de 200 mulheres do setor produtivo. A partir deste domingo, os candidatos estão autorizados a pedir voto de forma explícita, distribuir material gráfico e promover comícios, carreatas e passeatas.
A cobertura de centro relatou que os dois campos organizaram a largada em torno dos mesmos dois eixos: o voto feminino e a segurança pública. No ABC, sob o mote 'Onde tudo começou', a campanha petista estimou público de 20 mil pessoas. Lula subiu ao palco depois de uma contagem regressiva de 13 minutos, referência ao número do partido, e discursou por 36 minutos. Prometeu criar um Ministério da Segurança Pública caso a PEC da Segurança Pública seja aprovada, para dividir responsabilidades com estados e municípios, e defendeu que o Brasil explore por conta própria seus minerais críticos. Haddad foi o terceiro a discursar, depois de Benedita da Silva e da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e encerrou o ato segurando as bandeiras do Brasil e de São Paulo ao lado do presidente e do vice-presidente Geraldo Alckmin. Em Osasco, Tarcísio apresentou propostas de segurança, empreendedorismo, saúde e saúde mental, evitou nacionalizar o discurso e não citou Jair Bolsonaro nem o candidato presidencial Flávio Bolsonaro, que fez seu primeiro ato em Copacabana, no Rio de Janeiro.
Veículos de esquerda destacaram sobretudo o simbolismo do lugar: o mesmo gramado onde, em março de 1979, Lula discursou nas assembleias da Grande Greve do ABC como líder do Sindicato dos Metalúrgicos. Nessa leitura, a cena costura a luta sindical que ajudou a abrir caminho para a redemocratização, o nascimento do Partido dos Trabalhadores e a disputa atual. Essa cobertura deu peso às promessas de educação, com a meta de encerrar o mandato com 800 Institutos Federais, à defesa das mulheres, ao combate à estrutura financeira do crime organizado e às críticas do presidente à extrema direita, inclusive a atribuição de responsabilidade pelas mortes na pandemia de covid-19. Já a cobertura de centro emoldurou o mesmo ato com os números da disputa: levantamento Genial/Quaest divulgado em 29 de julho apontou Tarcísio com 41% das intenções de voto no primeiro turno paulista, contra 26% de Haddad, e 48% contra 32% em cenário de segundo turno. Na corrida presidencial, pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto mostrou Lula com 43% e Flávio Bolsonaro com 40%, empate técnico pela margem de erro de dois pontos percentuais, além de 48% de desaprovação ao governo federal contra 46% de aprovação. Veículos de direita não publicaram cobertura própria deste conjunto de atos até o fechamento desta edição, e o ponto cego é justamente o contraditório sobre o custo da nova estrutura ministerial prometida e sobre a leitura econômica apresentada no palanque petista, quando Haddad afirmou que a gestão atual entregou crescimento, empregos e colocou a inflação de joelhos.
O episódio da suposta perseguição da Polícia Militar ao motorista de Haddad também apareceu apenas na cobertura de centro. Tarcísio afirmou que o monitoramento por GPS das viaturas é conclusivo e afasta a hipótese de perseguição, admitiu a possibilidade de falsa comunicação de crime e disse que o caso será investigado, inclusive pela Polícia Civil, com depoimento do motorista e punição a eventuais desvios de conduta. Não há, nas reportagens disponíveis, resposta da campanha petista a essa versão, nem prazo para a conclusão da apuração. Também segue em aberto o cronograma de votação da PEC da Segurança Pública no Congresso, sem a qual a promessa do novo ministério não se concretiza, e não há estimativa pública de custo para a nova pasta. Falta ainda saber como a chapa adversária responderá à ofensiva petista sobre a ausência de mulheres entre seus principais candidatos, tema que os dois campos trataram como prioridade logo no primeiro dia.